quarta-feira, 9 de maio de 2018

[Escrita] Minha crença sobre a Escrita.

Escrevi esse texto como primeira publicação no Medium...

Minha Crença Sobre a Escrita.

Depois de algum tempo, resolvi compartilhar minha experiência com o Ninho de Escritores e tentar deixar claro porque tenho paixão por esse projeto.

Eu fiz cursos de escrita livre, cada um deles acrescentou a sua maneira e todos tinham algo em comum: o evidente ego dos publicados. Sempre senti que houvesse essa delimitação e que ela não era tão benéfica como muitos do curso achavam que era (afinal, os deixavam para baixo, como poderia ser bom?). Escutava dos outros participantes que eles nunca conseguiriam escrever, que se esforçavam e que nunca seriam publicados. Eu entendia a frustração, claro, eu escrevo fanfictions há quase 20 anos e sempre pensei que deveria escrever originais para poder pensar em publicação. Não sabia se estava no mesmo nível dos demais, mas ao menos sentia que estávamos no mesmo barco.

Os cursos ajudaram a melhorar detalhes técnicos, mas ainda tratavam com uma distinção feroz o publicado daqueles que desejavam melhorar sua escrita ou aprender a escrever. Eu bem que tentei não ter esses pensamentos, mas falhei nisso. A distinção estava lá e eu não poderia ignorá-la.

Então, um dia, uma amiga me passou o convite para o Ninho de Escritores com temática Queer. Eu escrevia (ainda escrevo) fanfics sobre casais gays e pensei que ter esse aprendizado tiraria as coisas ruins da minha escrita, preconceituosas e dadas como verdade que pudesse estar escrevendo e não sabia.

A minha primeira surpresa foi que o curso não ia ser como os demais que já havia cursado. O que era fantástico. Depois discutir o Queer na escrita me fez repensar diversas coisas e como escrever sobre elas. A segunda surpresa foi a certeza (ou o reforço dela) que qualquer pessoa pode escrever.

A segunda foi mais importante. Por anos, eu mantive um site de fanfics chamado “Legado da Escrita” (offline no momento) onde eu vivia dizendo paras as meninas que elas podiam escrever sim. A escrita não era o dom mágico ou a inspiração divina que separava os escolhidos dos meros mortais. A escrita era uma prática que podia ser aprendida e aperfeiçoada. Não excluo que existam pessoas com talentos e mentes prontas para a escrita, mas se pensarmos que tudo é mágica ou escolhidos, ninguém pintaria ou aprenderia a tocar um instrumento musical ou escreveria.

Lembro de estar no metrô com o fundador do Ninho após a primeira reunião do Ninho Queer e ele ter falado algo como “escrita é prática” e eu pensei que estava no lugar certo porque a pessoa acreditava no mesmo que eu. Pode parecer estranho, mas sabe o quanto isso é raro?

Sempre pesquisei sobre escrita, sempre procurei passar as pessoas as formas de escrever uma história, diálogos, personagens, narrativa. Por anos, com o Legado, eu recebia mensagens de pessoas que queriam escrever e eu as incentivava. Por que não? Quem disse que elas não poderiam? Você tem um enredo, você tem personagens, use prosa e tente.

Claro, escrever não é apenas sobre falar “olha, vai que dá”, existe uma técnica e existem métodos. Muitos deles estão pela internet, em sites e fóruns, de fácil acesso. É necessário saber sobre cores para fazer uma pintura ou saber as notas e escalas para música. Para a escrita, existem as técnicas e as regras (que podem ser quebradas, mas isso não é a discussão). O que quero dizer é que sempre que achar que é mágica, não vai acontecer. Coisas podem ser intuitivas, mas existem as técnicas e elas podem ser aprendidas o que faz com que qualquer um que realmente queira possa escrever, pintar, tocar um instrumento.

Para mim, a negativa sobre a escrita sempre me incomodou. Nos cursos anteriores havia esse elemento. Claro, ser publicado é maravilhoso, mas existe o processo para que isso aconteça e essa é a parte que mais me interessa porque é nela que as pessoas param e deixam de acreditar que é possível. A publicação me parece a cereja do bolo. Ter o material terminado em mãos e falar “fui eu que fiz” é o que mais me motiva a continuar acreditando que é possível. (Que fique claro que não menosprezo publicação, longe de mim, eu quero publicar algo algum dia também, mas eu realmente não acredito que focar nisso seja o que vai ajudar as pessoas a escrever e terem seu material pois sem sentar e escrever o material, não existe nada para ser publicado).

Então, eu encontrei esse lugar, esse ninho que trabalhava com a mesma prerrogativa que a minha e que era tão acolhedor e inspirador. Ali não havia o cara publicado explicando acima dos demais, ali havia pessoas que gostavam de escrever falando sobre seus processos e suas dificuldades. A linha que separava e que sempre me incomodou, não existia mais.

O motivo pelo qual eu permaneço no Ninho de Escritores após tantos anos: você pode escrever, não se trata de um lugar exclusivo, não se trata de um lugar onde você não possa estar. Vamos te ensinar como, apenas acredite que você pode escrever e dedique-se a prática.

Porque escrita é isso: prática.

terça-feira, 11 de abril de 2017

Diário de bordo - Página TRÊS

Diário de Bordo da passageira quarenta e quatro haga

Brasil

Página 3

Nunca sabemos o quanto podemos ficar preocupados até ficarmos preocupados de verdade. Lá estava eu, meu pensamento confuso, uma vã tentativa de entender o que tinha acontecido. No dia anterior, eu havia feito o passaporte e agora, tudo estava suspenso.

Casa da Moeda suspende produção de passaportes por falta de pagamento


Era o que sempre acontecia no final de ano ou era porque a vez era minha? Como eu podia responder isso sendo que tudo o que pensava era: vão me excluir do programa por não ter passaporte. Quer dizer, minha chance de viajar ao Japão e poderia perder tudo porque valores não foram pagos. Não era nem a minha própria ruína, era uma ruína externa e era isso que mais me incomodava.

Fui até a polícia federal. Foi o que todo mundo me mandou fazer: vai lá e explica para eles. Eu não entendi como isso poderia me ajudar – e ainda não entendo, mas fiz como foi recomendado.

Cheguei na PF do shopping Eldorado e estava funcionando normalmente. Falei com um funcionário sobre a matéria da suspensão e escutei “senhora, tudo o que sabemos é o que foi vinculado, não posso falar mais nada”. Posso dizer que tentei argumentar sobre a importância da minha viagem como se eu fosse o ser mais especial do mundo e que o trabalho de muita gente deveria continuar para que eu pudesse viajar. O homem apenas me olhou e disse que não podia fazer nada. Claro que ele não podia, eu sabia disso, eu tinha feito o que me mandaram fazer e experimentava um verdadeiro horror com a realidade.

Sai dali com o peso do mundo nas costas. Meu maior sonho estava impedido por um problema que eu não podia controlar e não podia fazer nada. Eu não soube bem quando comecei a chorar, eu somente sei que não consegui parar por muito tempo. Como não conseguia me controlar, eu resolvi ir embora do mesmo jeito, aos prantos.

Sentei num banco alto no ônibus, o único vazio e estava tentando controlar as lágrimas e explicar as minhas amigas por um aplicativo de conversa o que estava fazendo e sentindo. Um homem sentou-se a meu lado, me olhou e trocou de lugar.

Um outro homem sentou-se e ficou observando com atenção. Eu desliguei o celular e fiquei olhando pela janela, meus pensamentos eram de que não ia conseguir viajar e que não podia acreditar nisso. Pensava que eu deveria ter feito o passaporte antes já que queria fazer uma vez que estava procurando emprego fora do país.

Dado um momento da viagem, o homem a meu lado tocou meu ombro e me estendeu uma bíblia pequena. Eu olhei o objeto e peguei depois da insistência da mão dele. Olhei para ele, confusa. “Moça, eu não sei o que te aconteceu, mas a sua dor é a minha dor. Aqui você pode encontrar respostas” ele disse e sorriu, se levantando depois. Demorei um pouco para responder, processando o que ele tinha dito. Olhei para ele, indo para a porta, notando que ele não tinha um braço e tinha um dedo onde deveria estar seu cotovelo.

Eu disse “mas eu não sou cristã” e ele respondeu que era um presente. Ele desceu e eu o olhei pela janela e agradeci. Fiquei encarando o pequeno livro depois e guardei na minha bolsa. Eu não chorei mais depois disso. Fiquei com medo de abrir aquele troço e ter uma mensagem negativa. Disse a mim mesma que aconteceria o que deveria acontecer.

A bíblia que ganhei do gentil estranho


Minhas amigas me falaram pelo aplicativo que era um sinal de que deveria me acalmar e que tudo daria certo. Eu vi como uma gentileza de um estranho. Eu  não o conhecia, mas eu não sei se os fatores de nossas dores em semelhantes, mas ele estava certo, as dores são iguais não importam os motivos. Era bem como dizia minha ex-chefe “a pior dor é a que estamos sentindo”.

Sem ter o que fazer, eu esperei. Enviei um e-mail ao Consulado explicando o problema do passaporte e eles responderam que estavam cientes. Eu acompanhava as notícias do pagamento pela internet, mas uma vez anunciado que os passaportes estavam suspensos, não houve mais qualquer nota sobre se ainda estava suspenso ou se já tinha voltado ao normal.

Na outra semana, à noite, eu recebi o e-mail que dizia que meu passaporte estava pronto. Enviei um e-mail a Miki-san contando que o passaporte estava pronto e ela respondeu “até eu estou aliviada por isso”. Na manhã seguinte, eu fui a faculdade e iria buscar. Me encontrei com a Karen, minha amiga do mestrado, que estava indo para a faculdade também. Contar a ela o que aconteceu me fez perceber como eu estava realmente feliz por isso.

Ao final de dias de sofrimento, deu tudo certo. Uma prova que eu deveria ter me acalmado desde o princípio porque não podia fazer nada em relação a suspensão.


domingo, 9 de abril de 2017

Diário de Bordo - Página DOIS

Diário de Bordo da passageira quarenta e quatro haga

Brasil

Página 2

Eu não tinha um passaporte. Eu nunca sai do continente. Minhas viagens internacionais eram para o Uruguay visitar a minha família e aqui com o Mercosul, meu RG era suficiente.

Tive a ajuda de uma amiga com o pagamento da taxa que a Polícia Federal exige para a confecção do documento. Myandra me emprestou o dinheiro assim que saiu a confirmação que eu teria a entrevista no Consulado. Queria pedir o documento o quanto antes, as pessoas contavam histórias de demora para fazer o agendamento e era final de ano, as coisas deixam de funcionar por aqui.

Antes de ir para a minha entrevista no Consulado, eu fui na agência da PF localizada no Shopping Eldorado para tirar dúvidas sobre o procedimento. Os funcionários foram bem colaborativos, eles sorriram e me explicaram como fazer. Me falaram sobre ficar olhando a página da PF e atualizando para ver se acontecia de ter data para dias mais próximos que não 2 de Janeiro (que era a data oferecida no sistema). Graças a essa dica, eu consegui marcar para a semana seguinte.

Já no dia de fazer o passaporte, a funcionária não parecia muito feliz. Eu fiquei de boca fechada, as pessoas têm dias ruins e não queria que nada saísse de errado com o meu passaporte porque queria viajar. O mau humor dela era tão palpável que formava uma névoa densa e negra ao redor dela. Ela ficou pressionando meus dedos para registrar minhas digitais enquanto as pessoas nas cadeiras ao lado da minha, iam embora por já terem resolvido os procedimentos. Ela estava tão mal-humorada e já tinha me dado duas respostas atravessadas que fiquei pensando se eu falava para ela que tinha dez por cento de digitais em alguns dedos (devido a uma queimadura de quarto grau anos atrás) ou que permanecia calada tendo meus dedos esmagados contra o leitor de digitais da mesa dela.

Optei pela segunda opção. Talvez ela tenha pensado que o leitor estava sujo, de qualquer forma, as digitais saíram (não sei com qual qualidade, mas saíram). Enquanto eu a via digitar e apertar os lábios, pensava no dia que tinha ido fazer a biometria no cartório eleitoral e que a moça de lá tinha desistido de pegar a digital de dois dedos (por causa dos dez por cento) e que posso votar com oito dedos. Ela grampeou meus papeis e disse que a confecção do passaporte estava demorando mais de sete dias por causa da procura de fim de ano. Agradeci e fui embora, um pouco preocupada.

Essa preocupação somente cresceu quando, no dia seguinte, foi noticiado que a emissão de passaporte estava suspensa por falta de pagamento. Ai sim, o que começou como uma pequena preocupação transformou todo o meu ser.

Diário de Bordo - Página UM

Diário de Bordo da passageira quarenta e quatro haga

Brasil

Página 1

Em dezembro de 2016, recebi um e-mail do professor com o qual tive aula na pós-graduação me falando sobre um concurso promovido pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo para uma viagem ao Japão. O programa tinha o nome de JUNTOS e se tratava de um intercâmbio cultural ao Japão com todas as despesas pagas organizado pela JICE (Japan International Cooperation Center) e o MOFA (Ministry of Foreign Affairs of Japan). O concurso resumia-se a alunos e pesquisadores de cultura japonesa e tinha dois fatores que me favoreciam: não tinha restrição de idade e não era necessário saber japonês.

Após pensar por um dia inteiro – eu sei que isso soa estranho, muitas pessoas teriam se inscrito na hora, mas eu nunca fui uma pessoa de concursos e tive que pensar um pouco, para conseguir a coragem necessária. Conversei com meu amigo Samus, aquele que parece entender minha alma mais do que qualquer outra pessoa no mundo e resolvi participar. Então, notando que não tinha muito a perder, eu me inscrevi. Era necessário preencher os documentos vinculados pelo Consulado e enviar uma redação sobre o porquê essa viagem ajudaria em minha pesquisa.

O texto produzido não foi o dos melhores, hoje eu olho para ele e penso o quanto estava ansiosa, mas ele não é ruim. Sou mestranda em cultura japonesa pelo programa de pós-graduação da USP e eu estudo mitologia japonesa, mais especificamente o Kojiki e dentro desse livro, Izanami e Izanagi. Minha redação falava sobre observar os mitos na sociedade.

Após alguns dias, recebi a resposta. A primeira veio como um e-mail dizendo que não tinha passado para a segunda fase. Na hora, pensei com um sorriso triste que, ao menos, tinha tentado. Alguns minutos depois, recebi outro e-mail que indicava que tinha uma entrevista marcada para a próxima semana. Ainda confusa, recebi um terceiro e-mail pedindo para desconsiderar o e-mail que não havia passado. Foi o momento que fiquei olhando os caracteres na tela do notebook e pensei "uau". 

A entrevista ocorreu no escuro, o Consulado fica na avenida Paulista e estava sem luz. Conheci Miki-san e o cônsul Takamoto. Eles conduziram a entrevista com severidade, como esperado de japoneses. Eu não sabia se tinha ido bem, estava tão nervosa que não é possível lembrar com exatidão do que respondi as perguntas. Eu lembro que olhava o contorno dos dois pela luz que vinha de fora e olhava os telhados dos prédios vizinhos, enquanto pensava que estava fazendo uma entrevista para ir ao Japão. Eles ficaram surpresos por meu tema de estudo ser o Kojiki e me questionaram sobre o Japão atual e o Japão Antigo – o qual estudo e que tipo de choque eu esperaria por essa distância entre a realidade e o estudo, respondi que o passado sempre está lá, você só precisa olhar para ele, mesmo que a sociedade não seja a mesma (movida por regras e valores que ganharam outros entendimentos), seus resquícios ainda estão lá.

Como estudar mitos e outra era do Japão poderia me ajudar a sociedade atual? Como explicar que mitos não são apenas histórias? Como explicar que a mitologia permanece?  

Demorou mais alguns dias para a resposta dessa entrevista. Eu já não sabia mais o que pensar. Tinha repassado a entrevista tantas vezes e respondido as perguntas de muitas outras formas. Era uma confusão e uma ansiedade só em minha cabeça.

Então, numa sexta-feira, recebi um telefonema da Miki-san dizendo que havia sido selecionada para o Programa Juntos e que ela precisava do meu passaporte para dar entrada no visto.

Minha surpresa foi tanta que quando ela disse "parabéns" eu ainda estava processando que iria ao Japão. 

Minha Grande Mãe Divina, eu fui selecionada! Eu ia para o Japão!

Diário de Bordo - JUNTOS JAPAN

Olá,

Meu blog sempre está meio abandonado, mas eu viajei para o Japão e devo escrever o que eu vi e o que vivi enquanto estive lá. Por isso, nasce uma nova série de postagens aqui no blog chamado Diário de Bordo - JUNTOS JAPAN, que era o nome do programa o qual eu participei.

Alguns dos textos, os que eu achar mais interessantes, serão postados no MEDIUM também.

Esse programa de intercâmbio foi organizado por:
-> JICE (Japan International Cooperation Center)
-> MOFA (Ministry of Foreign Affairs of Japan)


domingo, 8 de maio de 2016

[Conto] Darci

            (Esse conto foi escrito como treinamento para o curso de escrita queer do Ninho de Escritores e foi “corrigido” durante uma das aulas. Agradeço ao lindos e lindas que fazem parte do curso por isso ♥ também publicado no Pena Mágica e no Legado da Escrita)

            Ia pular. Uma queda de cinco segundos. A água gelada daria conta de sua vida. Qual motivo tinha para viver? Por que continuar dizendo que era um homem quando todos falavam que era uma mulher? Por que ouviria as palavras ácidas de Beth dizendo que jamais ficariam juntos?

            — Não pule!

            Virou a cabeça e viu um homem sentado na mureta da ponte, as mãos enfiadas no casaco, os pés balançando. Ele olhou para baixo, a água gelada corria com força. Ele era exatamente como Darci queria ser.

            — Ouvi dizer que uma pessoa pulou numa noite como essa. Deixou tudo para trás. Doía demais aqui — O homem virou-se e espalmou a mão no coração. — Não conseguia respirar. Queria ser outra pessoa. Acredito que tudo pode mudar. Você é essa pessoa.

            Não conseguia ver o homem direito, sua visão estava marejada. Tinha posto a mão no coração também. Batia tão lento, tão sem força. A dor sufocava, não conseguia respirar direito.

            — Gostaria que não fizesse isso. Eu amo o que você se tornou. Vamos ficar juntos, Darci. Apesar da dor, estaremos juntos. Sempre.

            Fechou os olhos para lutar contra as lágrimas. Como amou aquelas palavras! “Eu vou esperar por você, não faça isso, por favor” escutou a voz do homem bem próxima. Tranquilizante e calorosa. Quando abriu os olhos, Darci estava ainda de pé em cima da mureta, a única alma por ali. Gostaria de ter escutado antes aquelas palavras tão preciosas.

            Lançou-se na direção do rio. Cinco segundos e Darci abriu os olhos e teve a impressão de ver o homem olhando com muita tristeza lá de cima. Aquele homem era Darci, mas notou tarde demais. Bateu na água e sumiu.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Love's Divine

Isso porque sempre me esqueço como a voz do Seal é maravilhosa e como essa música foi feita para essa voz.

Detalhe para o cara com a camisa da seleção brasileira no pv.
E para o fato do Seal parecer um anjo ♥


Because love can help me know my name.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

1. Margarina

Não existe nada de errado com o 1, é assim mesmo. Como eu escrevi, eu tinha a ideia de começar um novo blog onde publicaria algumas histórias narradas com meu senso de humor sarcástico (???), mas resolvi que esse blog tá aqui, tá funcional e pode servir para isso também.

Bora lá então.



Ontem foi um dos dias que estava sem qualquer pensamento em mente enquanto passava margarina no pão. Então, notei que não era da marca costumeira, eu gosto de Qually, mas meu irmão acha que é caro, então, comprou uma mais em conta - mas não uma vagabunda. O que foi bom, afinal, quantas vezes já brigamos por isso?

Foi quando tive um acesso de riso. Eu escutei a voz do Samus na minha cabeça, relembrando eventos de um passado bem distante. "Ao menos, ter dinheiro para comprar uma margarina melhor... Melhor do que Mesa". Para os perdidos, Mesa é uma marca de margarina horrível, não sei como alguém consegue comer aquilo - na verdade, ela tem sua margem de vendas e tem gente que não se importa, e eu, não deveria julgar tanto, afinal, as pessoas comem o que elas acham que devem comer e estamos todos combinados assim.

E tudo aconteceu muitos anos atrás, quando o Samus estava ainda na faculdade e morava numa república que tinha sido uma funerária. Eu não tinha ideia de como era morar numa rep e de como era miserável a vida de estudante, a gente não tem muita certeza dessas coisas até estar na mesma situação ou, ao menos, ver com os próprios olhos. Eu lembro de estar falando com ele sobre a vida que ele tinha e Samus estava me falando que estava cansado de comer comida ruim. E que tinha que sobrar dinheiro para comprar, ao menos, uma margarina decente que não fosse Mesa. "Mesa, droga de margarina..." ele repetiu com desprezo.

Passei anos rindo disso. Sempre lembrava dessa conversa. Ainda lembro. Sempre vou lembrar.

Quando fui morar numa república e pensava na comida ruim, eu escutava a voz dele. A gente tem que aprender alguma coisa da experiencia dos amigos ou seremos uma constante repetição de erros. Quando ele foi me visitar na minha rep, não tinha Mesa esperando por ele na geladeira (e muito provavelmente, eu devo ter feito uma piada a respeito disso). Sempre pensei que deveríamos comer uma margarina melhor, mesmo que ela custasse um pouco mais caro. Meu irmão não pensa assim, embora afirme que sente a diferença no gosto (algo que eu duvido), ele não se importa. Ele não comprou uma marca ruim dessa vez, mas se ele economizar trocando de marca, é o que ele vai fazer.

Ele diz que sou fresca. É, talvez eu seja mesmo.

Até posso entender, com a crise e tudo mais. Fazer o dinheiro durar é o mais importante. As vezes, ele exagera. O que adianta comprar algo mais barato se é ruim (o problema aqui é o ruim, existem coisas boas baratas)? O pior é ouvir ele se queixando que é ruim... Essa economia vale mesmo a pena? Quer dizer, nunca fui capaz de entender isso porque não faz o menor sentido para mim.

De qualquer modo, estava rindo por ter escutado a voz de Samus reclamando da margarina. Acredito que vou ouvir isso até o fim dos meus dias. As melhores razões para lembrar de seus amigos são aqueles momentos que eles fizeram descobertas e que abandonaram a antiga vida que levavam antes, com pensamentos que não serviam mais ou atitudes que não levavam a nada. Nesse caso, a economia em algo mais barato nunca fez sentido porque a margarina era uma droga.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

As desculpas de sempre são as desculpas de sempre

Postagem para mim mesma:
Eu queria não abandonar o blog, mas é algo que sempre faço.
Eu sempre me desculpo na esperança de não me sentir tão mal por isso, mas o fato é que faço isso novamente.
Então, minhas desculpas são as mesmas desculpas de sempre. Faz quase 10 anos que tenho esse blog.
Eu até ia criar outro blog para postar umas histórias engraçadas e pensei que não seria necessário já que tenho esse.
Eu gosto de começar coisas novas, mas preciso de mais concentração para terminar o que comecei. Digo isso por minhas histórias mesmo.
Enfim, vou parar de me desculpar.
E começar a fazer mais.

Como diria o Chef Didier de "Férias da Minha Vida": the start isn't nearly as important as the finish.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Lucifer - episódio dois

Acabei de assistir o segundo episódio do seriado "Lucifer" e estou muito frustrada. Bastante mesmo. Perto do piloto que passou na semana passada, esse episódio foi bem fraco. Bem mesmo.

Eu estava bem animada. Eu tinha adorado o piloto e recomendei para um monte de gente, crente que ia ser bom. Mas que broxante esse segundo episódio. Tudo bem, não totalmente, o final salvou tudo.

Não tenho nada contra o diabo ser um outro cara, mas ele ainda é o diabo. Por favor, não vamos forçar assim a amizade, ele precisa dos seus toques de maldade, o que esse esse episódio deixou muito a desejar.

Assim como outros, assim que soube desse seriado, não pude pensar no melhor diabo de todos que foi interpretado pelo John Glover em Brimstone - para sempre meu seriado favorito. Todo mundo que me conhece já ouviu falar desse seriado porque é ótimo! (há!)

A diferença entre os dois diabos está no que concerne a mudança deles. O de Brimstone não tinha a liberdade que o de Lucifer possuiu, mas tinha poderes absolutos e sabia quem era. E é justamente isso que me incomoda no diabo de Lucifer, que apesar de muito charmoso e sarcástico (fabulosa atuação do Tom Ellis), parece que não sabe quem é, embora fique falando de si mesmo o tempo todo (fabuloso novamente!).

Talvez tenha sido só um episódio fraco, mas é esperado mais coisas ruins porque ele é o Diabo, independente do que venha a se tornar depois disso, e é algo que não pode ser esquecido ou deixado de lado. Pelamor, o cara destruiu a vida do homem no paraíso e não vai fazer nada na Terra cercado de humanos imbecis?

E para relembrar, meu detetive favorito e o Diabo:


SAUDADES BRIMSTONE!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

+18 não significa nada

Navegando pela internet, vi que o filme do Deadpool será classificado como +18 nos cinemas. Eu não entendi o choque das pessoas, se o próprio Ryan (o protagonista) disse que seria assim. Minha surpresa não foi nem pelo choque em relação ao choque das pessoas, mas sim, como isso não significa nada.

Tudo no mundo é uma volta mesmo. Por mais que se fale sobre fazer o certo (qualquer um pode ver isso nas redes sociais, as postagens lindas sobre o que é "certo"), poucas pessoas parecem levar isso realmente a sério. Exemplos disso tem aos montes, mas fugirei do foco do que quero escrever. Essa discussão toda na minha mente porque o que li a respeito desse +18 nesse filme foi: patético.

Sem falar sobre o que uma faixa etária possa ou não ver (alias, isso não tá ai de graça), uma vez que todos sabemos que as crianças e adolescentes fazem o que querem na internet, a regra está posta. Saber se vão cumpri-la é outra coisa. Mas aqui é Brasil, cumprir as regras é ser otário, já diz a lei do Gerson. E mesmo se for pego, só falar "eu não sabia" ou "não estava claro o suficiente".


Quando morava em Franca e eu fui ver o sétimo filme da franquia Jogos Mortais, pediam a identidade na compra do ingresso e depois havia um encarregado do cinema confirmando a identidade de todo mundo. Eu fiquei surpresa, naquele fim de mundo tinha um controle disso. Claro, eu era maior de idade (hahaha) naquela época, mas nunca tinha visto vigilância. Lembro do menino falando para mim "menor não pode entrar". Está certo, se é +18, não pode.

Na sala, só tinha adultos e nenhum piu. Saudades de quando ir no cinema era ver filmes em silêncio e não com gente otária falando, verificando mensagem no celular que parece um holofote e tirando selfie. Eu que gosto tanto da experiência do cinema, tenho ido cada vez menos, porque a falta de noção é tão acentuada que não vou me divertir e sim passar raiva.


Claro que essa vigilância não se estende por ai e mesmo com +18 no Deadpool, certamente adolescentes e até mesmo crianças estarão presentes. Só pelo sentimento de: infringir as regras me faz mais esperto que os outros. Lei de Gerson está no nosso sangue de BR.

Esse é um pequeno exemplo, existam tantos mais que posso citar, mas caberá a novas discussões aqui no blog (assim, quem sabe, eu volto a escrever?).

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Deerclops, qual é o seu problema?

Desde que ganhei o Don't Starve Together, eu tenho jogado bem com as meninas. Então, o jogo recebeu a atualização dos Gigantes e, finalmente, o nosso querido Deerclops aparece todo o inverno.

Quando jogava com mod, o jogo acabava tornando-se fácil e cansativo. O Deerclops era facilmente derrotado e seguíamos as nossas vidas sem maiores preocupações. Então, certa vez a Mit falou para jogarmos sem mod, só com as personagens originais do jogo. Eu topei, era verdade que desde que comecei a jogar, eu nunca tinha jogado com nenhuma das originais, eu sempre pegava algum mod legal.

Desde então, foi assim que redescobri como esse jogo é difícil e extremamente divertido.

Eu não lembro a ordem exata. Certa vez, o Deerclops destruiu nosso acampamento. Depois disso, passamos a murar tudo para retardar o boss. Sabíamos que uma muralha de palha não ia detê-lo, mas atrasá-lo para que ele não destruísse a base, já era uma ajuda. Conseguimos fazer com que ele brigasse com um Treeguard e o Deerclops encontrou seu destino numa Spider-Queen. Bem feito, papudo.

Senti uma grande vitória ao derrotá-lo. E também, foi muito divertido. MUITO DIVERTIDO.

Nosso último embate com ele se deu essa semana. Novo mapa, novo mundo, um bioma de pedras com muitas aranhas. Sem ter como fazer o controle delas - e vejam só, eu não me importo porque jogo com o Webber - ficamos preocupadas do Deerclops ser derrotado pelas Spider-Queens que habitavam o bioma e perdemos o olho dele - necessário para o melhor chapéu do verão.

Ficamos super preocupadas. Mas o Deerclops não segue uma lógica certa quando eu e ela estamos jogando, ele sempre faz outra coisa e não é o que planejamos. Dessa vez, crentes que ele seria facilmente derrotado pelas aranhas, tivemos uma lição que ele não só mata 3 Spider-Queens, como um mob de Hounds e mais aranhas.

Parabéns, Deerclops! Jamais subestimarei você novamente, meu querido. Vive em meu coração e estamos juntos para o próximo inverno.
E que não me deixe mais falar mal dele, segue as 3 screenshots da gravação da nossa batalha épica contra ele.






Deerclops, afinal qual é o seu problema conosco? E um abraço no coração. (quem sabe assim, a gente tenha mais sorte da próxima vez!)

domingo, 23 de agosto de 2015

Ocupação da Paulista

Hoje eu fui andar de bicicleta com meu pai e meu irmão mais velho. Passamos logo cedo pela Paulista e não havia tantas pessoas. Depois de nossa volta habitual no Minhocão e no Centro da cidade, voltamos a Paulista quando ela estava fechada para os carros e o uso de bicicletas e pedestres tomava a avenida.

Apesar de saber da importância da Paulista como via de ambulância, sou a favor dessas intervenções e de que a avenida seja fechada ao lazer (tanto porque eu acredito que havia uma faixa lá para carros e para ambulâncias). Enquanto estava andando com a bicicleta, olhava ao redor, as pessoas pareciam felizes por estarem ocupando a avenida e a grande maioria estava respeitando as normas de trânsito e dando o espaço dos pedestres nas faixas. 

Digo a grande maioria porque sabemos que não somos respeitosos no trânsito. De qualquer forma, muitos de nós tentamos.

Não era um evento bem organizado, mas sabemos que está no começo do processo e que ele pode ser bagunçado a principio e que depois, vai tomando sua forma. O importante é que havia centenas de pessoas e todas estavam ocupando aquele espaço conhecido e que todos amamos.

Claro, nem sempre todos estão felizes. Eu ouvi comentário realmente muito tristes. Uma mulher estava reclamando porque os pedestres não podiam usar a ilha da Paulista, que agora é a ciclovia. Pacientemente, o homem que a acompanhava disse que não era para pedestres andarem lá, que o lugar deles é na calçada. Nada mais óbvio do que isso. A mulher reclamou mais, dizendo que era absurdo. Não ouvi o restante da conversa, mas fiquei pensando sobre isso. O que é tão absurdo? A rua é dos carros, a ciclovia é das bicicletas, a faixa exclusiva é dos ônibus, a calçada é dos pedestres. Ou ela anda pela rua e faixas exclusivas porque é absurdo que pertençam a esses a carros e ônibus? A bicicleta é um meio de transporte também.

Apesar disso, eu sei que as obras das ciclovias não são perfeitas, que precisam de melhorias. Mas ao menos, elas existem. Nunca vai agradar todo mundo, principalmente as pessoas que não sabem caminhar e fazem tudo de carro. A mobilidade precisa existir para todos e não somente para os que tem carros. As faixas exclusivas de ônibus sempre são alvo de reclamações, mas quem as utiliza com o transporte público não reclama porque elas são necessárias.

São Paulo é essa coisa caótica, todo mundo que mora aqui sabe disso. Mas ficar reclamando sem propor nada não ajuda no estado de caos. Isso não somente no trânsito paulistano, mas em todas as demais coisas.

Eu gostaria de mais apoio as obras e mais gentileza no trânsito.
Grande sonho, não?

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Eu quero muito jogar isso - Payday x L4D1

Ontem eu estava jogando Payday The Heist com o Yudi e fomos jogar a fase No Mercy. Tamanha foi a minha surpresa por saber que essa fase é crossover com o Left 4 Dead 1. O hospital Mercy é reproduzido com todos os detalhes. Claro que fiquei super animada.

"I never liked hospitals much, and I like sewers even less. But I do love a chopper taking me out of a hell hole. So we went through the bowels of the city to get to the hospital and to a chopper sent from heaven."

Quando o Yudi falou que o Bill estava no elevador, eu quis tirar minha própria SS, mas sabe-se lá porque, meu F12 (tecla padrão do Steam para capturar as SS) não funciona nesse jogo. O que é ruim, porque o Hoxton, meu favorito, super senta like a diva na sala de espera e eu QUIS muito tirar uma SS dele.

E apesar do Hoxton ser meu favorito, eu jogo com o Wolf porque eu shippo os dois. Sim, isso mesmo. Eu sou dessas que escutei Hoxtilicious e fiquei "como assim, Wolfie?" HAHAHAHAHA. Mas tudo bem, eu não estou sozinha nessa fandom, tem mais gente que acha isso divertido ♥

De qualquer modo, essa fase do Payday seria uma prévia antes dos acontecimentos do L4D, com eles indo roubar uma amostra de sangue contaminado do hospital. O mesmo hospital que aparece na primeira fase do L4D1 e que está todo destruído e ensanguentado.

Mas isso é somente um crossover, não canon. O pessoal da Overkill deixou claro que era apenas uma fase em colaboração com a Valve e não uma pré sequencia dos eventos de L4D - uma pena. Isso seria fantástico. Acredito que todos os fãs ficaram alucinados na época e queriam que fosse canon hahaha.

No final, a conclusão é: everybody loves L4D.

quarta-feira, 27 de maio de 2015

EU QUERO JOGAR ISSO! - Mods

Por que amar Mods? O Steam oferece uma oficina maravilhosa para melhoria e modificação dos jogos.

Como não querer jogar Don't Starve Together sendo que tem esse mod? Gordon no jogo? Quem não quer! Um clássico. AMEI esse mod.


E num dos meus jogos favoritos, L4D2, esses mods são ótimos para divertir ainda mais o jogo:


E esse das vocaloids eu uso porque é lindo! Super bem feito, textura linda, personagens bonitas que ficam sujas de sangue.


terça-feira, 26 de maio de 2015

Momento: EU QUERO JOGAR ISSO!

E vou estrear uma nova série no meu blog porque eu sou mesmo pessoa que adora jogar!

Mas como não olhar para isso e querer jogar????

 

Mistura dois dos meus jogos favoritos: RE6 e L4D2.

Pega esse Ellis fazendo pose e esse Leon tomando uma surra da Witch! PERFEITO!
(Sem querer comentar que o Chris é quase um Tank com essa mutação que ele sofreu no jogo 6...)

Eu não joguei The Mercenaries no RE6 por motivos de: eu jogo com o Samus e não quero estragar o save!
Mas eu jogo no RE5 e todos dão viva ao Chris mega forte matando todo mundo.

Achei esse vídeo enquanto olhava uma lista de melhor FPS que listava DOOM em primeiro (justo!) e Half Life em segundo (perfeito!).

sexta-feira, 22 de maio de 2015

E mudei

Desde que eu comprei esse notebook, tenho usado a mesma imagem de fundo. Uma que eu amo tanto e que me trouxe tanta alegria.


KoKame sempre será meu OTP favorito e gente, sem discussões, é a imagem mais linda de todas. Ai como KoKame é perfeito ahsd saiodsoidj sjdsi aoj!!!!!!!

Mas dada a minha atual condição, eu resolvi mudar. E não porque KoKame não seja a melhor coisa do universo, mas porque eu fiquei apaixonada por essa imagem do Jacob e sua trupe... Assassin's Creed é uma das minhas franquias de jogo favoritas (Deuses, que jogos lindos ♥). E gente, tem cartola e bengala estilizada. Além de eu achar que o Jacob é muito afetado e um almofadinha. Meu assassino favorito ainda é o Ezio "(Craudia~" https://youtu.be/YaXCqM75LZg?t=32s).


Dai mudei. Depois de uns... 4 anos? Hahahah eu raramente mudo as coisas, fico sempre com as mesmas fotos, com os mesmos fundos e tudo mais. Como é um raro momento, tive que relatar.


Atualização

Depois de discutir assuntos delicados com meu grande amigo Samus, ficamos com a sensação que o tópico do facebook que trata da denuncia do senpai é tipo:


Gente, fala sério.

Algumas das falas não fazem sentido. (e não, eu não vou explicitar nada, é apenas um "desabafo")
Não adianta mesmo você tentar explicar que o bom senso é bom porque as pessoas gostam de taxar todo mundo. Se quer bom senso, está errado e está contra tudo o que a pessoa acredita ser bom, ou seja, você é um monstro e inimigo.

Ainda acho que todos que postam denúncias na internet sem estarem ligadas a órgãos que são oficiais e dignos de fazer investigação e acusações são irresponsáveis. Desculpa, se você acha que não, tudo bem, cada um tem seu direito de achar o que pensar ser melhor, mas eu vou continuar achando.

Seria uma péssima historiadora se não encontrasse paralelos disso dentro da História. Quantos boatos não mataram ao longo da história? Que dirá minhas irmãs em religião que foram mortas por homens odiosos...

É lamentável.

Enquanto esses casos foram mantidos no pessoal, isso não avança. Somente no grande que avança gente. Ficar na internet, escrevendo de casa, como você é contra alguma coisa, não diz nada. Agora sair na rua e se reunir a mais que acreditam nisso, é mesmo outra história.

Enfim, fica mais do mesmo sempre.
Mas tive que postar o Dredd... Quem nunca encontrou alguém assim? O senhor da verdade, de toda a certeza do mundo e que não consegue perceber que o ato errado é maior do que ele acha que é? No facebook tá cheio.
Deve ser um dos motivos por eu ter tanta raiva dessa rede social.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Colocaram a cabeça a prêmio e agora?

Ontem eu tive o desprazer de receber uma notícia que muito me chocou. Sem entrar em maiores detalhes, posso dizer que o senpai foi acusado nas redes sociais por 3 anos de agressão a sua companheira, além de ameaça de homicídio e de viver as custas do trabalho dela por todos esses anos.

Primeiro que eu achei meio impossível de acreditar. E minha descrença se une com os demais que conheciam o senpai. Foi a reação inicial. Afinal, o senpai foi uma das pessoas mais gentis e educadas que eu já conheci, e pelo o que me consta, ser educado e gentil em nada se compara a ser legal. Para uma pessoa que defendia todas as frentes, que sempre esteve engajados nas lutas do movimento estudantil na faculdade e que vivia dizendo que eu deveria relaxar, é muito ter uma acusação dessas.

Meu lado de kouhai falou mais alto e após lembrar de tantas conversas, ficou claro que a pessoa narrada naquela acusação era um ser bem distinto do que eu tinha convivido na faculdade. Passou-e horas de pura descrença, pensando e pensando.

O senpai poderia mesmo ter feito isso? Eu fiquei me perguntando. Claro, isso somente pelo meu lado de amiga. Então a visão estendeu-se a tudo. Uma grave acusação de agressão doméstica foi feita num tumblr e a internet é um lugar muito (muito) grande.

Temos a narração com uma grande tendência a condenação do que a uma denúncia em si. E esse é o problema. É uma grave denuncia feita na internet. E então? Lá diz que o senpai fugiu para Minas. E tudo o que todos temos é apenas essa denuncia.

Então, como tenho pensando muito nisso e tenho muito carinho pelo senpai, eu resolvi fazer esse post para tirar essas coisas da minha mente. Não posso lidar com isso de forma pura, não porque eu não ache que o senpai fez isso, mas porque eu acredito piamente que é errado por isso nas redes sociais. Para esclarecer meus pensamentos para mim mesma, posso lidar com tópicos.

O senpai teria feito isso?
Não. Ele era uma pessoa gentil e educada.
Sim. Os Deuses sabem que maldade despertou/veio a tona/começou a existir nele para tal ato.


Saindo do figura do senpai, isso não quer dizer nada na verdade. A grande parte dos agressores tem comportamento amáveis com todos e são verdeiros demônios com suas companheiras. Os motivos são os mais variados: bebida, droga, sadismo, controle.
Como dizem: ninguém sabe como é dentro de 4 paredes porque cada um é um nesse momento.

Alguns agressores são tão agradáveis com as vítimas depois que elas acreditam que eles vão mudar, mas eles não mudam, Eles sempre voltam a agredir (ou a grande parte deles).

E a vítima?
Afinal, houve uma acusação e se há uma acusação, há uma vítima.
A descrição do que ela passou durante 3 anos foi de puro horror. Mas infelizmente, é uma descrição da vida de muitas mulheres.

Segundos estudos, a mulher fica com o homem agressor por dois motivos básicos (e eu estou simplificando tudo aqui): um é o amor. Ele é um ótimo cara quando não está me espancando. O amor deve superar essa fase ruim. Talvez eu tenha feito algo mesmo para merecer esse tapa. E meu filho? Não posso deixar meu marido por causa da minha criança.
O outro fator é o medo. O que vou fazer? Se eu denunciar, ele disse que me mata? E meu filho? Não posso deixá-lo aqui e não tenho para onde ir.
Além da grande tortura psicológica que essa mulher agredida sofre todos os dias por ter um companheiro violento, tem ainda o descaso da sociedade. Afinal, ninguém tem que meter a colher na relação dos outros, não é mais ou menos assim o ditado? Ela mereceu. Por que não foi embora? Devia ter ido embora, mas eu não ia ajudar ela porque eu não tenho nada a ver com isso.

Dado as especulativas, ninguém pode saber o que se resolveu desse caso em específico. Enfim, o caso sugere investigação e punição se confirmado a agressão. Como mulher, obviamente sou solidária as iguais a mim por entender a pressão que a sociedade machista exerce nas mulheres. Como cidadã, eu sei que é um abuso que as autoridades não possam tomar alguma medida. Não é raro os casos de mulheres assassinadas por ex/companheiros violentos, mesmo com a denúncia feita pela vítima. E em algum desses casos, vemos a punição para o assassino.

Postar na internet?
Bem, está ai o ponto que não posso concordar.

Minha experiência pessoal diz que não é nosso poder julgar ninguém. Qualquer um pode ser um assassino, um violentador, alguém ruim. Inclusive eu. Essa é a minha prerrogativa.
(além do mais, toda vez que julgo alguém, eu sofro algum tipo de acidente >.<' então, raramente o faço e quando o faço, eu trato de me retratar antes de falar algo para não ter as consequências da Lei Divina que estou sujeita)

A Internet é um lugar muito grande. As redes sociais tem tantos tentáculos que nem sendo criança você poderia imaginar uma quantidade dessas. Então, a acusação foi feita por um coletivo e postado no tumblr e teve o alcance no facebook, onde foi que recebi o link. Assim como eu, milhares de pessoas já devem ter lido e tirado suas próprias conclusões. E como dito, apesar de assinar como denúncia, era uma condenação.

E quem não conhece casos de boatos na internet que resultaram em linchamentos? As pessoas estão enervadas, um boato desses é tudo o que elas precisam para verdadeiras caçadas humanas. Casos de pessoas que foram acusadas de sequestrar crianças e que foram espancadas violentamente até a morte e o registro disso foi parar no youtube. Porque não basta participar da barbárie, vamos espalhar por ai e deixar claro que quero likes nisso.

Como minha amiga disse: isso é muita raiva.
É, é sim,

Justiça não deve ser confundida com vingança. Que sempre fique claro.

Como se não bastasse a gravidade de tudo, ainda colocaram esse post para ser debatido no amigável facebook. O que me deixou ainda mais perplexa é que as pessoas não leem as coisas, elas passam o olho por cima e concluem tudo. É o imediatismo da minha resposta em cima da sua, mesmo que eu não faça a menor ideia do que você escreveu.
Ah gente, dai não dá para acompanhar. O caso é grave, claro que é, então, mostrar sua surpresa é tido: você está desmerecendo a vítima. Você querer fatos a respeito disso é: você está desmerecendo as mulheres. Você estar chocado é: oi acorda, qualquer um pode ser um monstro.
E alguém disse isso mesmo? Alguém defendeu? Alguém disse que era mentira?
Quando a parte do linchamento entrou em discussão, eu li "mas ninguém quer isso". Você bota a foto dele na internet o acusando de atos hediondos contra uma mulher e acha que todo mundo vai ler e curtir? Que ninguém vai atrás dele com uma foice querendo beber o sangue dele? Confirmado ou não a agressão, isso pode acontecer, porque já aconteceu antes e ainda vai acontecer.

Lembrando novamente: justiça não é vingança. E nosso país já tem pena capital, então não se preocupe com os finais. Ainda mais com uma foto dessas circulando por ai.

Então, volto ao porque de escrever isso. Eu estava ficando louca. Claro que o senpai é meu amigo e eu estou odiando a acusação, mas não estou desmerecendo ela. Uma acusação desse calibre deve ser investigada porque senão fica como boataria na net - e isso não desmerece de forma alguma o testemunho da vítima, a vida é assim, não é porque eu falei que é verdade (no entanto, também não é mentira), precisa de uma investigação.
Se o senpai fez tais coisas, ele deve pagar. Mas não sou eu que vou aplicar a punição porque eu não tenho poder para isso. 
É mais um triste caso de violência doméstica, a cada 2 minutos uma mulher é agredida no Brasil. É um dado triste de uma realidade que fechamos os olhos. Nosso sistema falido, com instituições deixadas as traças, com, funcionários corruptos e mal pagos não vai mesmo resolver o problema da violência contra a mulher. O que é chegar em uma delegacia e denunciar uma agressão e ouvir que tem coisa melhor a ser feita do que resolver briga doméstica? Ou que ele estava de cabeça quente, por que não deixa para lá?
Não precisa ser próximo de nós para sabermos como é odioso tal atitude. Qualquer tipo de violência é odiosa.

Ao final, é apenas um desabafo, como se diz (e eu odeio usar essa expressão). A vida é assim: cheia de surpresas. Você nunca sabe o que virá a seguir.
Ao menos serve para reafirmar a máxima: você não conhece ninguém. E não conhece mesmo.

terça-feira, 31 de março de 2015

Música e sonhos

Eu estava assistindo ao BandNews e passou essa reportagem sobre jovens de periferia que foram tocar nos Estados Unidos. A reportagem tem um pouco mais de 5min e mostra a alegria desses músicos da Orquestra Jovem de São Paulo e as dificuldades da garota da reportagem de ter conseguido se ser música.

Isso me lembra as diversas argumentações que ouvi em toda a minha vida que as pessoas pobres não tem condições ou capacidade de serem algo melhor do que a grande maioria da sociedade espera que eles sejam.

Sempre devemos confiar na capacidade das pessoas de piorarem ou de melhorarem. Afinal, já dizia meu onichan "as pessoas sempre podem se virar porque elas não são quadradas".


E sempre uma dádiva para mim ver esse tipo de reportagem quando eu estou tão desacreditada do mundo.



A reportagem segue no link abaixo.


http://bandnewstv.band.uol.com.br/noticias/conteudo.asp?ID=747189&tc=educacao-bolsistas-da-orquestra-jovem-de-sao-paulo-realizam-sonho-de-tocar-nos-estados-unidos