Mostrando postagens com marcador visão de mundo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador visão de mundo. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

+18 não significa nada

Navegando pela internet, vi que o filme do Deadpool será classificado como +18 nos cinemas. Eu não entendi o choque das pessoas, se o próprio Ryan (o protagonista) disse que seria assim. Minha surpresa não foi nem pelo choque em relação ao choque das pessoas, mas sim, como isso não significa nada.

Tudo no mundo é uma volta mesmo. Por mais que se fale sobre fazer o certo (qualquer um pode ver isso nas redes sociais, as postagens lindas sobre o que é "certo"), poucas pessoas parecem levar isso realmente a sério. Exemplos disso tem aos montes, mas fugirei do foco do que quero escrever. Essa discussão toda na minha mente porque o que li a respeito desse +18 nesse filme foi: patético.

Sem falar sobre o que uma faixa etária possa ou não ver (alias, isso não tá ai de graça), uma vez que todos sabemos que as crianças e adolescentes fazem o que querem na internet, a regra está posta. Saber se vão cumpri-la é outra coisa. Mas aqui é Brasil, cumprir as regras é ser otário, já diz a lei do Gerson. E mesmo se for pego, só falar "eu não sabia" ou "não estava claro o suficiente".


Quando morava em Franca e eu fui ver o sétimo filme da franquia Jogos Mortais, pediam a identidade na compra do ingresso e depois havia um encarregado do cinema confirmando a identidade de todo mundo. Eu fiquei surpresa, naquele fim de mundo tinha um controle disso. Claro, eu era maior de idade (hahaha) naquela época, mas nunca tinha visto vigilância. Lembro do menino falando para mim "menor não pode entrar". Está certo, se é +18, não pode.

Na sala, só tinha adultos e nenhum piu. Saudades de quando ir no cinema era ver filmes em silêncio e não com gente otária falando, verificando mensagem no celular que parece um holofote e tirando selfie. Eu que gosto tanto da experiência do cinema, tenho ido cada vez menos, porque a falta de noção é tão acentuada que não vou me divertir e sim passar raiva.


Claro que essa vigilância não se estende por ai e mesmo com +18 no Deadpool, certamente adolescentes e até mesmo crianças estarão presentes. Só pelo sentimento de: infringir as regras me faz mais esperto que os outros. Lei de Gerson está no nosso sangue de BR.

Esse é um pequeno exemplo, existam tantos mais que posso citar, mas caberá a novas discussões aqui no blog (assim, quem sabe, eu volto a escrever?).

domingo, 23 de agosto de 2015

Ocupação da Paulista

Hoje eu fui andar de bicicleta com meu pai e meu irmão mais velho. Passamos logo cedo pela Paulista e não havia tantas pessoas. Depois de nossa volta habitual no Minhocão e no Centro da cidade, voltamos a Paulista quando ela estava fechada para os carros e o uso de bicicletas e pedestres tomava a avenida.

Apesar de saber da importância da Paulista como via de ambulância, sou a favor dessas intervenções e de que a avenida seja fechada ao lazer (tanto porque eu acredito que havia uma faixa lá para carros e para ambulâncias). Enquanto estava andando com a bicicleta, olhava ao redor, as pessoas pareciam felizes por estarem ocupando a avenida e a grande maioria estava respeitando as normas de trânsito e dando o espaço dos pedestres nas faixas. 

Digo a grande maioria porque sabemos que não somos respeitosos no trânsito. De qualquer forma, muitos de nós tentamos.

Não era um evento bem organizado, mas sabemos que está no começo do processo e que ele pode ser bagunçado a principio e que depois, vai tomando sua forma. O importante é que havia centenas de pessoas e todas estavam ocupando aquele espaço conhecido e que todos amamos.

Claro, nem sempre todos estão felizes. Eu ouvi comentário realmente muito tristes. Uma mulher estava reclamando porque os pedestres não podiam usar a ilha da Paulista, que agora é a ciclovia. Pacientemente, o homem que a acompanhava disse que não era para pedestres andarem lá, que o lugar deles é na calçada. Nada mais óbvio do que isso. A mulher reclamou mais, dizendo que era absurdo. Não ouvi o restante da conversa, mas fiquei pensando sobre isso. O que é tão absurdo? A rua é dos carros, a ciclovia é das bicicletas, a faixa exclusiva é dos ônibus, a calçada é dos pedestres. Ou ela anda pela rua e faixas exclusivas porque é absurdo que pertençam a esses a carros e ônibus? A bicicleta é um meio de transporte também.

Apesar disso, eu sei que as obras das ciclovias não são perfeitas, que precisam de melhorias. Mas ao menos, elas existem. Nunca vai agradar todo mundo, principalmente as pessoas que não sabem caminhar e fazem tudo de carro. A mobilidade precisa existir para todos e não somente para os que tem carros. As faixas exclusivas de ônibus sempre são alvo de reclamações, mas quem as utiliza com o transporte público não reclama porque elas são necessárias.

São Paulo é essa coisa caótica, todo mundo que mora aqui sabe disso. Mas ficar reclamando sem propor nada não ajuda no estado de caos. Isso não somente no trânsito paulistano, mas em todas as demais coisas.

Eu gostaria de mais apoio as obras e mais gentileza no trânsito.
Grande sonho, não?

sexta-feira, 22 de maio de 2015

Atualização

Depois de discutir assuntos delicados com meu grande amigo Samus, ficamos com a sensação que o tópico do facebook que trata da denuncia do senpai é tipo:


Gente, fala sério.

Algumas das falas não fazem sentido. (e não, eu não vou explicitar nada, é apenas um "desabafo")
Não adianta mesmo você tentar explicar que o bom senso é bom porque as pessoas gostam de taxar todo mundo. Se quer bom senso, está errado e está contra tudo o que a pessoa acredita ser bom, ou seja, você é um monstro e inimigo.

Ainda acho que todos que postam denúncias na internet sem estarem ligadas a órgãos que são oficiais e dignos de fazer investigação e acusações são irresponsáveis. Desculpa, se você acha que não, tudo bem, cada um tem seu direito de achar o que pensar ser melhor, mas eu vou continuar achando.

Seria uma péssima historiadora se não encontrasse paralelos disso dentro da História. Quantos boatos não mataram ao longo da história? Que dirá minhas irmãs em religião que foram mortas por homens odiosos...

É lamentável.

Enquanto esses casos foram mantidos no pessoal, isso não avança. Somente no grande que avança gente. Ficar na internet, escrevendo de casa, como você é contra alguma coisa, não diz nada. Agora sair na rua e se reunir a mais que acreditam nisso, é mesmo outra história.

Enfim, fica mais do mesmo sempre.
Mas tive que postar o Dredd... Quem nunca encontrou alguém assim? O senhor da verdade, de toda a certeza do mundo e que não consegue perceber que o ato errado é maior do que ele acha que é? No facebook tá cheio.
Deve ser um dos motivos por eu ter tanta raiva dessa rede social.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Colocaram a cabeça a prêmio e agora?

Ontem eu tive o desprazer de receber uma notícia que muito me chocou. Sem entrar em maiores detalhes, posso dizer que o senpai foi acusado nas redes sociais por 3 anos de agressão a sua companheira, além de ameaça de homicídio e de viver as custas do trabalho dela por todos esses anos.

Primeiro que eu achei meio impossível de acreditar. E minha descrença se une com os demais que conheciam o senpai. Foi a reação inicial. Afinal, o senpai foi uma das pessoas mais gentis e educadas que eu já conheci, e pelo o que me consta, ser educado e gentil em nada se compara a ser legal. Para uma pessoa que defendia todas as frentes, que sempre esteve engajados nas lutas do movimento estudantil na faculdade e que vivia dizendo que eu deveria relaxar, é muito ter uma acusação dessas.

Meu lado de kouhai falou mais alto e após lembrar de tantas conversas, ficou claro que a pessoa narrada naquela acusação era um ser bem distinto do que eu tinha convivido na faculdade. Passou-e horas de pura descrença, pensando e pensando.

O senpai poderia mesmo ter feito isso? Eu fiquei me perguntando. Claro, isso somente pelo meu lado de amiga. Então a visão estendeu-se a tudo. Uma grave acusação de agressão doméstica foi feita num tumblr e a internet é um lugar muito (muito) grande.

Temos a narração com uma grande tendência a condenação do que a uma denúncia em si. E esse é o problema. É uma grave denuncia feita na internet. E então? Lá diz que o senpai fugiu para Minas. E tudo o que todos temos é apenas essa denuncia.

Então, como tenho pensando muito nisso e tenho muito carinho pelo senpai, eu resolvi fazer esse post para tirar essas coisas da minha mente. Não posso lidar com isso de forma pura, não porque eu não ache que o senpai fez isso, mas porque eu acredito piamente que é errado por isso nas redes sociais. Para esclarecer meus pensamentos para mim mesma, posso lidar com tópicos.

O senpai teria feito isso?
Não. Ele era uma pessoa gentil e educada.
Sim. Os Deuses sabem que maldade despertou/veio a tona/começou a existir nele para tal ato.


Saindo do figura do senpai, isso não quer dizer nada na verdade. A grande parte dos agressores tem comportamento amáveis com todos e são verdeiros demônios com suas companheiras. Os motivos são os mais variados: bebida, droga, sadismo, controle.
Como dizem: ninguém sabe como é dentro de 4 paredes porque cada um é um nesse momento.

Alguns agressores são tão agradáveis com as vítimas depois que elas acreditam que eles vão mudar, mas eles não mudam, Eles sempre voltam a agredir (ou a grande parte deles).

E a vítima?
Afinal, houve uma acusação e se há uma acusação, há uma vítima.
A descrição do que ela passou durante 3 anos foi de puro horror. Mas infelizmente, é uma descrição da vida de muitas mulheres.

Segundos estudos, a mulher fica com o homem agressor por dois motivos básicos (e eu estou simplificando tudo aqui): um é o amor. Ele é um ótimo cara quando não está me espancando. O amor deve superar essa fase ruim. Talvez eu tenha feito algo mesmo para merecer esse tapa. E meu filho? Não posso deixar meu marido por causa da minha criança.
O outro fator é o medo. O que vou fazer? Se eu denunciar, ele disse que me mata? E meu filho? Não posso deixá-lo aqui e não tenho para onde ir.
Além da grande tortura psicológica que essa mulher agredida sofre todos os dias por ter um companheiro violento, tem ainda o descaso da sociedade. Afinal, ninguém tem que meter a colher na relação dos outros, não é mais ou menos assim o ditado? Ela mereceu. Por que não foi embora? Devia ter ido embora, mas eu não ia ajudar ela porque eu não tenho nada a ver com isso.

Dado as especulativas, ninguém pode saber o que se resolveu desse caso em específico. Enfim, o caso sugere investigação e punição se confirmado a agressão. Como mulher, obviamente sou solidária as iguais a mim por entender a pressão que a sociedade machista exerce nas mulheres. Como cidadã, eu sei que é um abuso que as autoridades não possam tomar alguma medida. Não é raro os casos de mulheres assassinadas por ex/companheiros violentos, mesmo com a denúncia feita pela vítima. E em algum desses casos, vemos a punição para o assassino.

Postar na internet?
Bem, está ai o ponto que não posso concordar.

Minha experiência pessoal diz que não é nosso poder julgar ninguém. Qualquer um pode ser um assassino, um violentador, alguém ruim. Inclusive eu. Essa é a minha prerrogativa.
(além do mais, toda vez que julgo alguém, eu sofro algum tipo de acidente >.<' então, raramente o faço e quando o faço, eu trato de me retratar antes de falar algo para não ter as consequências da Lei Divina que estou sujeita)

A Internet é um lugar muito grande. As redes sociais tem tantos tentáculos que nem sendo criança você poderia imaginar uma quantidade dessas. Então, a acusação foi feita por um coletivo e postado no tumblr e teve o alcance no facebook, onde foi que recebi o link. Assim como eu, milhares de pessoas já devem ter lido e tirado suas próprias conclusões. E como dito, apesar de assinar como denúncia, era uma condenação.

E quem não conhece casos de boatos na internet que resultaram em linchamentos? As pessoas estão enervadas, um boato desses é tudo o que elas precisam para verdadeiras caçadas humanas. Casos de pessoas que foram acusadas de sequestrar crianças e que foram espancadas violentamente até a morte e o registro disso foi parar no youtube. Porque não basta participar da barbárie, vamos espalhar por ai e deixar claro que quero likes nisso.

Como minha amiga disse: isso é muita raiva.
É, é sim,

Justiça não deve ser confundida com vingança. Que sempre fique claro.

Como se não bastasse a gravidade de tudo, ainda colocaram esse post para ser debatido no amigável facebook. O que me deixou ainda mais perplexa é que as pessoas não leem as coisas, elas passam o olho por cima e concluem tudo. É o imediatismo da minha resposta em cima da sua, mesmo que eu não faça a menor ideia do que você escreveu.
Ah gente, dai não dá para acompanhar. O caso é grave, claro que é, então, mostrar sua surpresa é tido: você está desmerecendo a vítima. Você querer fatos a respeito disso é: você está desmerecendo as mulheres. Você estar chocado é: oi acorda, qualquer um pode ser um monstro.
E alguém disse isso mesmo? Alguém defendeu? Alguém disse que era mentira?
Quando a parte do linchamento entrou em discussão, eu li "mas ninguém quer isso". Você bota a foto dele na internet o acusando de atos hediondos contra uma mulher e acha que todo mundo vai ler e curtir? Que ninguém vai atrás dele com uma foice querendo beber o sangue dele? Confirmado ou não a agressão, isso pode acontecer, porque já aconteceu antes e ainda vai acontecer.

Lembrando novamente: justiça não é vingança. E nosso país já tem pena capital, então não se preocupe com os finais. Ainda mais com uma foto dessas circulando por ai.

Então, volto ao porque de escrever isso. Eu estava ficando louca. Claro que o senpai é meu amigo e eu estou odiando a acusação, mas não estou desmerecendo ela. Uma acusação desse calibre deve ser investigada porque senão fica como boataria na net - e isso não desmerece de forma alguma o testemunho da vítima, a vida é assim, não é porque eu falei que é verdade (no entanto, também não é mentira), precisa de uma investigação.
Se o senpai fez tais coisas, ele deve pagar. Mas não sou eu que vou aplicar a punição porque eu não tenho poder para isso. 
É mais um triste caso de violência doméstica, a cada 2 minutos uma mulher é agredida no Brasil. É um dado triste de uma realidade que fechamos os olhos. Nosso sistema falido, com instituições deixadas as traças, com, funcionários corruptos e mal pagos não vai mesmo resolver o problema da violência contra a mulher. O que é chegar em uma delegacia e denunciar uma agressão e ouvir que tem coisa melhor a ser feita do que resolver briga doméstica? Ou que ele estava de cabeça quente, por que não deixa para lá?
Não precisa ser próximo de nós para sabermos como é odioso tal atitude. Qualquer tipo de violência é odiosa.

Ao final, é apenas um desabafo, como se diz (e eu odeio usar essa expressão). A vida é assim: cheia de surpresas. Você nunca sabe o que virá a seguir.
Ao menos serve para reafirmar a máxima: você não conhece ninguém. E não conhece mesmo.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pichação

Eu não gosto de pichação! Simples assim!

Segunda-feira, chegando da escola, eu vejo uns skatistas fitando a minha casa. Entrei e eles subiram a rua e picharam o muro da industria do outro lado da rua.

Eu fiquei puta, claro. Eu odeio pichação! Existem tantas coisas que acho odiosas e é claro, que isso se encaixa nessa lista, tanto por ser algo odioso como uma violência. Exatamente isso, considero uma violência, por que seria diferente?

Meus pais vieram para esse país e se esforçaram para encontrar dinheiro, manter a família e comprar essa casa. Quem um maloqueiro acha que é para vir aqui e pichar o nome dele? Essa casa não é propriedade de um vagabundo, nunca foi e nunca será. Quando eu penso nos esforços dos meus pais e de tudo o que fizeram, eu fico puta em pensar que um cara veio e pichou declarando aquele ponto dele. Se tinha que ter uma pichação, seria com o nome dos meus pais!

Pichação é mesma uma maldição nessa cidade. É uma das coisas mais feias que se pode fazer com as letras. De grafite, eu gosto, ai sim está uma arte e tem toda uma história que consagra esse movimento, mas pichação não. Nunca gostarei.

Minha casa é pichada. O sogro do meu irmão consertou um pedaço do muro e vieram uns vagabundos pichar. Eu fiquei horrorizada e com muita raiva. Não, simplesmente não para essas pessoas. Se eu tivesse visto, tinha arremessado uma garrafa, vai pichar a casa da mãe.

Esse post era só para isso, para dizer que odeio. Odeio mesmo. Quero que se foda quem acha legal, piche a própria casa então e não vem fazer isso na minha.

domingo, 12 de outubro de 2014

Pensamentos

"Algumas vezes, eu observava que a beleza de certas situações não se media pelo meu nível de vaidade. Bem longe disso. Na verdade, eu não deveria medir nada. A situação tinha surgido, eu não desgostava daquela criança, mas também, não podia suportar uma atitude como aquela. Havia certeza errada e uma atitude que era realmente equivocada. Me perguntava o quanto eu poderia suportar, quanto poderia lidar. Os olhos eram maliciosos, cheios de afronta. Quando eu respondi, eu usei tudo o que aprendi quando conheci pessoas que não fizeram as coisas certas na vida, foi como eles que eu falei com uma criança e então, ele tremeu. Em algum lugar, um instinto de sobrevivência apareceu, eu sabia porque ele cheirava a isso. Ele arregalou os olhos e,  por segundos calculados, considerou cada palavra dita da forma mais cruel possível. Quando eu me virei, foi que ele começou com as provocações, incapaz de ser direto, e eu voltei a reagir da mesma forma, o tom baixo que eu não utilizava em muito tempo. Então, assim como para ele, foi para mim também, aquele estalo que indicava o nível da situação. Foi um click de o que você pensa que está fazendo? não poderia ser assim, não poderia ser dessa forma. Estou treinando o amor e a calma, como poderia reagir assim? por que jogar tudo no lixo, meses de tratamento e de ponto de vista melhores. Talvez eu devesse ter posto meu nome na caixa de vibrações, talvez tudo sido gerado por mim. O encontro e o debate com a violência só geraria mais violência. Enquanto eu encarava a criança que fugia do meu olhar, notei que a situação havia ficado insuportável mas que poderia ser concertada. Não quis piorar mais, falei com o mesmo tom, ainda do jeito que aquelas pessoas haviam ensinado e falei a verdade a criança. Que eu tinha me preocupado com a situação dele, que tinha me interessado em ver ele melhorar, que pedira ajuda para a situação dele e que tudo o que recebi de volta foi hostilidade. Ele me encarou surpreso e descrente com as minhas afirmações.  Falei é triste que aja assim, esfaqueando por trás quem quer te ajudar, faz o seguinte, continua sem mim porque eu não gosto disso e não ajudo mais porque não merece. Ele abaixou a cabeça e eu sentei na minha mesa e pensei sobre o que tinha acontecido. Pensei sobre isso e aprendi um pouco mais sobre mim. Queria que o mundo fosse um lugar melhor, mas ele é justo com quem é justo e violento com quem é violento. Tudo na mesma moeda, tudo do mesmo jeito. Justiça por justiça, violência por violência. Queria que essa criança compreendesse isso. No entanto, ele não se importa. E eu, infelizmente, sim."

Libertação desses pensamentos porque isso está me matando.
Talvez quando eu ler isso no futuro, eu não pense que tenha sido tão errado como eu acho que foi.

Faz tanto tempo que não pensava nesse passado nefasto, as vezes eu me assusto com o quanto eu lembro e o quanto eu posso reproduzir de tudo o que aprendi. Ao menos, não aprendi só coisas ruins, muitas foram boas e outras revoltantes. Deve ser por isso que tenho pouca tolerância sobre o que as pessoas acham de coisas que elas acham que sabem a respeito.


quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Meta de reunião... oi?

Desde que entrei nessa escola, tenho participado de muitas reuniões. Não sou uma pessoa que se opõe a isso, muito pelo contrário, eu gosto de reuniões. Talvez meu conceito disso seja errado, geralmente eu estou participando de eventos que um fala - monólogos e quando o debate é aberto, ele não acontece porque um atropela a fala do outro.

Tenho uma estranha crença que quando uma reunião é convocada, vamos estudar alguma proposta e estabelecer metas. No entanto, a realidade tem se mostrado bem diferente do que eu acreditava que seria uma reunião. E quando digo diferente eu quero dizer muito longe mesmo!

Embora eu tenha reuniões semanais, elas parecem ser mais do mesmo, repetição após repetição do mesmo assunto, sempre com poucos detalhes novos ou personagens novas. As conversas são as mesmas. A reunião começa de um jeito e termina igual. É uma reunião de pessoas que estão lá por obrigação e que fingem que se importam. Não sei se elas já esgotaram o que podiam fazer ou nunca tentaram ou não se importam mesmo.

Eu posso facilmente não me importar, mas gostaria que meu tempo não fosse desperdiçado - porque eu posso não me importar e fazer algo de útil no lugar. Existe uma pauta, existe um conteúdo, existe pessoas e existe opinião. Valores são mostrados apenas para falar mal de superiores, criticá-los sutilmente e receber sorrisos de cumplicidade com atitude tão antiprofissionais.

Talvez eu seja a errada nisso tudo. Quando sei que um ambiente de trabalho deve ser de trabalho, que as partes tem que se juntar porque elas estão ali para isso. Eu vejo dessa forma equivocada, quando todos aos meu redor estão trabalhando em conjunto para não resolverem nada e falarem mal dos chefes - porque isso sim vai trazer alguma melhoria para a condição de trabalho ou um aumento de salário.

Brasileiro tem essa passionalidade, não separa nada. Até hoje acho esquisito as pessoas que trabalham juntas se cumprimentar com beijos (no ambiente de trabalho) ou um repórter beijar o rosto de alguém que vai entrevistar (acontece direto na Liga). Podem falar: isso é cultural, mas para mim, ainda dá uma má impressão de profissionalismo.

Até parece que sou profissional, bem, eu tento ser. Acho que isso vai tornar meu trabalho produtivo - num campo tão distante e perdido como o da educação; e vou me sentir menos incomodada em realizar minha tarefa - mesmo com as condições difíceis e o que eu aturo em sala de aula.

Ao final, as reuniões não servem para nada, mas somos pagos para estarmos nelas. Eu escuto monólogos que não fazem sentido e longas indiretas, esperando algum desavisado tomá-las para si (como já vi acontecer). Num campo escolar, onde todos jogam contra todos e sempre tem alguém querendo puxar seu tapete, eu acredito que estou esperando o mínimo de educação de quem tanto pede por isso e eu sei que não vou ter retorno.

Só mais um desabafo. Tanta coisa errada naquele lugar que toda vez me pergunto: o que eu faço aqui mesmo?