quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pichação

Eu não gosto de pichação! Simples assim!

Segunda-feira, chegando da escola, eu vejo uns skatistas fitando a minha casa. Entrei e eles subiram a rua e picharam o muro da industria do outro lado da rua.

Eu fiquei puta, claro. Eu odeio pichação! Existem tantas coisas que acho odiosas e é claro, que isso se encaixa nessa lista, tanto por ser algo odioso como uma violência. Exatamente isso, considero uma violência, por que seria diferente?

Meus pais vieram para esse país e se esforçaram para encontrar dinheiro, manter a família e comprar essa casa. Quem um maloqueiro acha que é para vir aqui e pichar o nome dele? Essa casa não é propriedade de um vagabundo, nunca foi e nunca será. Quando eu penso nos esforços dos meus pais e de tudo o que fizeram, eu fico puta em pensar que um cara veio e pichou declarando aquele ponto dele. Se tinha que ter uma pichação, seria com o nome dos meus pais!

Pichação é mesma uma maldição nessa cidade. É uma das coisas mais feias que se pode fazer com as letras. De grafite, eu gosto, ai sim está uma arte e tem toda uma história que consagra esse movimento, mas pichação não. Nunca gostarei.

Minha casa é pichada. O sogro do meu irmão consertou um pedaço do muro e vieram uns vagabundos pichar. Eu fiquei horrorizada e com muita raiva. Não, simplesmente não para essas pessoas. Se eu tivesse visto, tinha arremessado uma garrafa, vai pichar a casa da mãe.

Esse post era só para isso, para dizer que odeio. Odeio mesmo. Quero que se foda quem acha legal, piche a própria casa então e não vem fazer isso na minha.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Corrida de rua - XIII Troféu da Independência do Brasil

Eu fiz essa postagem na data certa e por algum motivo, não publicou, então, fazendo jus ao que já escrevi, postando novamente.


Hoje, dia 7 de Setembro, teve mais uma corrida de rua. Dessa vez, no Museu Paulista, aqui no Ipiranga - lugar histórico já que teoricamente, Dom Pedro proclamou a independência. do Brasil. "Independência ou Morte" uma escolha bastante razoável.

Mais de 6 mil inscritos para 5 ou 10 km. Meu irmão foi pelos 10km. Corrida que contou com quenianos porque o primeiro lugar recebia premiação em dinheiro. Nem preciso dizer como eles correm.

Ouvi pessoas reclamando da participação deles, já que a premiação do primeiro lugar era de R$ 800,00, mas se estão pagando, por que eles não correriam? Povo chateado porque não tem chances contra eles, e de fato, não tem mesmo. Mas amigo, são 800 conto, se acha pouco para um queniano participar, é pouco para você também.

Ao meu ver, não estava tão bem organizado quanto as demais corridas que já estive. Ficou confuso e os corredores dos 5km nem foram muito prestigiados porque a chegada deles era diferente da chegada dos 10km. Eu mesma fiquei nos 5kms e depois vi que estava errada.

Como sempre, a boa vontade do povo em aplaudir os corredores. Eu aplaudo a todos, eles fizeram seu esforço e chegaram até o final, mesmo que não seja nas colocações mais prestigiadas. Eu acredito que é importante dar apoio as pessoas na causas corretas e a prática do atletismo é solitária, se alguém aplaudir os esforços, a pessoa pode se sentir ainda melhor por ter completado aquele objetivo.

De qualquer modo, eu fui para a chegada dos 10kms. O queniano fez a prova em 30 minutos, simples assim quando se tratam deles, eles correm demais. Claro que aplaudi loucamente, ele nem parecia muito cansado e eu acho que ele correm com leveza, parece que nem tocam o chão, tão flutuando no ar. É muito legal ver eles correndo por causa disso.

Pessoal foi chegando e meu irmão mais novo chegou. Ele ficou impressionado porque eu aplaudia a todos e eu fiquei o.O. Parece normal fazer isso, claro que não faço o tempo todo, mas aplaudo. Ele chegou pouco depois do cego ter cruzado a chegada com seu acompanhante. Eu sempre fico feliz quando eu vejo essas pessoas, não pela dificuldade em si da corrida para alguém que não pode ver o caminho, mas sim pela total confiança na instrução do guia que vai com ele. A ligação entre os dois deve ser intensa, mesmo que não na vida particular, e sim no momento 'solitário' da corrida, eles não estão sozinhos, os dois correm juntos.

Meu irmão chegou pouco tempo depois. Como sempre, não deu para tirar a foto dele. Precisamos de uma câmera fotográfica melhor, que capture esses momentos rápidos. Ele ficou feliz por o outro irmão estar ali.

Relembrando High~


When you're close to tears remember
Someday it'll all be over
One day we're gonna get so high
Though it's darker than December
What's ahead is a different colour
One day we're gonna get so high
And at the end of the day remember the days
When we were close to the end
And wonder how we made it through the night
At the end of the day
Remember the way
We stayed so close to the end
We'll remember it was me and you
Cause we are gonna be
Forever, you and me
You will
Always keep it flying high in the sky
Of love

domingo, 12 de outubro de 2014

Pensamentos

"Algumas vezes, eu observava que a beleza de certas situações não se media pelo meu nível de vaidade. Bem longe disso. Na verdade, eu não deveria medir nada. A situação tinha surgido, eu não desgostava daquela criança, mas também, não podia suportar uma atitude como aquela. Havia certeza errada e uma atitude que era realmente equivocada. Me perguntava o quanto eu poderia suportar, quanto poderia lidar. Os olhos eram maliciosos, cheios de afronta. Quando eu respondi, eu usei tudo o que aprendi quando conheci pessoas que não fizeram as coisas certas na vida, foi como eles que eu falei com uma criança e então, ele tremeu. Em algum lugar, um instinto de sobrevivência apareceu, eu sabia porque ele cheirava a isso. Ele arregalou os olhos e,  por segundos calculados, considerou cada palavra dita da forma mais cruel possível. Quando eu me virei, foi que ele começou com as provocações, incapaz de ser direto, e eu voltei a reagir da mesma forma, o tom baixo que eu não utilizava em muito tempo. Então, assim como para ele, foi para mim também, aquele estalo que indicava o nível da situação. Foi um click de o que você pensa que está fazendo? não poderia ser assim, não poderia ser dessa forma. Estou treinando o amor e a calma, como poderia reagir assim? por que jogar tudo no lixo, meses de tratamento e de ponto de vista melhores. Talvez eu devesse ter posto meu nome na caixa de vibrações, talvez tudo sido gerado por mim. O encontro e o debate com a violência só geraria mais violência. Enquanto eu encarava a criança que fugia do meu olhar, notei que a situação havia ficado insuportável mas que poderia ser concertada. Não quis piorar mais, falei com o mesmo tom, ainda do jeito que aquelas pessoas haviam ensinado e falei a verdade a criança. Que eu tinha me preocupado com a situação dele, que tinha me interessado em ver ele melhorar, que pedira ajuda para a situação dele e que tudo o que recebi de volta foi hostilidade. Ele me encarou surpreso e descrente com as minhas afirmações.  Falei é triste que aja assim, esfaqueando por trás quem quer te ajudar, faz o seguinte, continua sem mim porque eu não gosto disso e não ajudo mais porque não merece. Ele abaixou a cabeça e eu sentei na minha mesa e pensei sobre o que tinha acontecido. Pensei sobre isso e aprendi um pouco mais sobre mim. Queria que o mundo fosse um lugar melhor, mas ele é justo com quem é justo e violento com quem é violento. Tudo na mesma moeda, tudo do mesmo jeito. Justiça por justiça, violência por violência. Queria que essa criança compreendesse isso. No entanto, ele não se importa. E eu, infelizmente, sim."

Libertação desses pensamentos porque isso está me matando.
Talvez quando eu ler isso no futuro, eu não pense que tenha sido tão errado como eu acho que foi.

Faz tanto tempo que não pensava nesse passado nefasto, as vezes eu me assusto com o quanto eu lembro e o quanto eu posso reproduzir de tudo o que aprendi. Ao menos, não aprendi só coisas ruins, muitas foram boas e outras revoltantes. Deve ser por isso que tenho pouca tolerância sobre o que as pessoas acham de coisas que elas acham que sabem a respeito.


quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Estagiário

Tenho um estagiário em minhas aulas. Nunca pensei que aconteceria comigo, que iam mandá-lo para outro professor, no entanto, ele está na escola para ver minhas aulas. Sou a professora de História com mais aulas no fundII, seria natural que ele me escolhesse. 40 horas de estágio.

Soube ontem que ele iria fazer estágio comigo. Na verdade, fui perguntada se ele poderia me acompanhar. Quis dizer não, mas disse sim. Logicamente eu era a melhor escolha. Fiquei pensando que deveria ter dito o que queria, mas também, eu sei que seria idiota da minha parte.

Fiquei pensando e pensando, achando que ele ia me julgar pela forma que eu dou aula. Eu tentei não julgar a professora com a qual fiz estágio. Claro, na primeira vez eu achei estranho, mas depois que entendi o contexto de tudo aquilo. Apesar de tudo, eu me sentia tão pouco a vontade de entrar na sala e assistir a aula, ver o desrespeito dos alunos com uma pessoa idosa. Ficávamos ali, eu e o Takuto, cercado das crianças que queriam saber quem éramos, se éramos mesmo do Conselho Tutelar. Única coisa que importava.

Todas as coisas que escutávamos das crianças e o desamparo daquela professora fazem eco nas minhas falas com o professor estagiário. Tão estranho pensar que eu pensei que a professora estava desacreditada e agora, eu também estou.

Isso só reforça a ideia: o que eu estou fazendo lá mesmo?

O professor estava animado, fazendo perguntas, querendo saber o máximo. Eu até ri, achando graça. Tive que perguntar se ele queria mesmo aquilo para a vida dele e ele meio que explicou o que estava fazendo ali. Mas como sou a favor de mudar os dinos da educação, não o desestimulei mais (as crianças farão isso por mim!).

Nossa primeira parada foi na 7B, com as crianças que acreditam que tem todos os direitos do mundo e a todos querem processar, sem pensar que tem deveres também. Primeiramente, eu disse que não podia falar porque ele estava ali, só que ele ia fazer anotações do grupo. Obviamente, as crianças ficaram atiçadas, o cercaram e fizeram perguntas. Vieram me perguntar se ele era mesmo um estagiário e eu tornei a responder que não podia falar a respeito. Pura maldade, Amei ver a cara deles pensando em diversas coisas, meio acanhados e muito curiosos.

O que a presença dele contribuiu? As crianças dessa sala tem brincadeiras muito violentas e não praticaram nenhuma traquinagem - tipo puxar a cadeira do colega quando ele tá sentando, jogar lápis de um lado a outro da sala e tapas, muitos tapas. Sim, eles fazem isso o tempo todo. Você pede para parar com isso antes que alguém se machuque e o que você escuta: ai a gente sempre brinca assim, não machuca ninguém. Claro, até a hora que machucar ne?

Próxima parada 6B. Contribuição: A sala não pareceu o hospício que é. As crianças não estava gritando e as garotas mais assanhadas foram lá falar com ele e mostrar seus dotes. Eu revirei os olhos e ri. O menino que se diz perseguido por todos os professores sentou lá para conversar com ele. Por que ne, nós professores ficamos perseguindo ele, dando nota baixa e tudo mais. Ele fica correndo, mentindo e xingando a aula toda, mas de alguma forma, somos nós professores que perseguimos o coitado e que tudo o que ele faz não está errado. Adoro a falta de bom senso dos pais e a super proteção no ego para não admitir que criou um demônio.

O professor foi embora depois. Tive que contar a todos que adorei ter ele na sala porque foi a primeira vez que sai da 6B sem dor de cabeça (como aquelas crianças gritam...).

No final, a experiência que achei que seria desagradável e que me faria sentir mal, acabou mostrando-se outra coisa. Eu notei que eu realmente me esforço, mesmo quando eles não estão nem ai. Que tento explicar as coisas, trazer para o contexto dele e dou vários exemplos de filmes e, embora, eles me olhem muitas vezes por olhar, algumas vezes, ele sorriem e acenam com a cabeça, entendendo a ligação. Acontece uma vez ou outra, mas ao menos, acontece.

Quando fazia estágio, falaram que não deveria ficar na sala dos professores que era o pior lugar do mundo. Eu mesma me encontrei nas falas que tanto detestei, Não sei quando foi que a escola passou a ser um mundo a parte, cheio de mentiras, ressentimentos e adversidades. Não deveria ser assim, não deveríamos ver os alunos como adversários ou a gestão como adversários. Me vejo dentro de um sistema que se consome sozinho e a razão falta: a sala dos professores é mesmo o pior lugar de uma escola.

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Nostalgia: Aquarela

Foi aquele momento que pensei "vou ouvir algumas músicas brasileiras" na tentativa de me animar para escrever alguma coisa. Claro que foi um fracasso. Coloquei logo meu comercial favorito e senti a nostalgia maravilhosa.

Do tempo que havia certa significância em ver as propagandas e quando as músicas não eram sobre putaria e eram bem compostas. Não, em meu tempo as coisas não eram melhores, mas a atualidade parece mais triste do que eu posso lembrar do meu passado.

Acredito que guardamos algumas das melhores lembranças de nossa infância e somos levados a acreditar que em tempos passados, as coisas eram melhores. É um engano. O mundo sempre foi mundo, muito antes de qualquer um de nós achar que sabia algo sobre ele. Nossa concepção do que era bom ou justo ou sobre a ética mudou, nos adaptamos aos novos tempos, as novas tendências e nos deixamos levar por tudo isso.

Os tempos antigos eram sombrios e os atuais continuam a ser. A esperança seria acreditar que vamos conseguir, conseguimos antes, mas agora, não existe mais a mesma vontade. Conversa chata, melhor ir ver o que tem no face ou ler as "novidades" dos meus amigos - que na verdade não são novidades e não falam de nada que vá me menos entendiado, mas ao menos, é melhor do que pensar. O imediatismo feliz.

Na minha época tinha o "É o Tchan". É melhor do que a novinha e o lance do trampolim? Não sei, a Carla e cia apareciam na TV dançando de forma provocativa. Dali para cá, o velado foi tirado e o tema em si, exposto. O que isso significa? Para mim, mal gosto. Já era ruim É o Tchan, a música perdeu a sonoridade (não era trabalhada antes, mas tudo bem), ficou na batida básica e numa letra vulgar que não rima com coisa alguma.

Enfim, nem sei porque comecei a falar disso. Talvez puxe a temática para uma outra oportunidade. Agora sim, do que vim tratar nesse post.

Certamente que dever ser uma das melhores propagandas já criadas. Ela se encaixa perfeitamente, vendendo o produto da Faber Castell com uma música de melodia e letra fantásticas. Não há mais o que ser dito - na verdade há sim - a propaganda fala por si própria.


Numa folha qualquer eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas é fácil fazer um castelo...



quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Meta de reunião... oi?

Desde que entrei nessa escola, tenho participado de muitas reuniões. Não sou uma pessoa que se opõe a isso, muito pelo contrário, eu gosto de reuniões. Talvez meu conceito disso seja errado, geralmente eu estou participando de eventos que um fala - monólogos e quando o debate é aberto, ele não acontece porque um atropela a fala do outro.

Tenho uma estranha crença que quando uma reunião é convocada, vamos estudar alguma proposta e estabelecer metas. No entanto, a realidade tem se mostrado bem diferente do que eu acreditava que seria uma reunião. E quando digo diferente eu quero dizer muito longe mesmo!

Embora eu tenha reuniões semanais, elas parecem ser mais do mesmo, repetição após repetição do mesmo assunto, sempre com poucos detalhes novos ou personagens novas. As conversas são as mesmas. A reunião começa de um jeito e termina igual. É uma reunião de pessoas que estão lá por obrigação e que fingem que se importam. Não sei se elas já esgotaram o que podiam fazer ou nunca tentaram ou não se importam mesmo.

Eu posso facilmente não me importar, mas gostaria que meu tempo não fosse desperdiçado - porque eu posso não me importar e fazer algo de útil no lugar. Existe uma pauta, existe um conteúdo, existe pessoas e existe opinião. Valores são mostrados apenas para falar mal de superiores, criticá-los sutilmente e receber sorrisos de cumplicidade com atitude tão antiprofissionais.

Talvez eu seja a errada nisso tudo. Quando sei que um ambiente de trabalho deve ser de trabalho, que as partes tem que se juntar porque elas estão ali para isso. Eu vejo dessa forma equivocada, quando todos aos meu redor estão trabalhando em conjunto para não resolverem nada e falarem mal dos chefes - porque isso sim vai trazer alguma melhoria para a condição de trabalho ou um aumento de salário.

Brasileiro tem essa passionalidade, não separa nada. Até hoje acho esquisito as pessoas que trabalham juntas se cumprimentar com beijos (no ambiente de trabalho) ou um repórter beijar o rosto de alguém que vai entrevistar (acontece direto na Liga). Podem falar: isso é cultural, mas para mim, ainda dá uma má impressão de profissionalismo.

Até parece que sou profissional, bem, eu tento ser. Acho que isso vai tornar meu trabalho produtivo - num campo tão distante e perdido como o da educação; e vou me sentir menos incomodada em realizar minha tarefa - mesmo com as condições difíceis e o que eu aturo em sala de aula.

Ao final, as reuniões não servem para nada, mas somos pagos para estarmos nelas. Eu escuto monólogos que não fazem sentido e longas indiretas, esperando algum desavisado tomá-las para si (como já vi acontecer). Num campo escolar, onde todos jogam contra todos e sempre tem alguém querendo puxar seu tapete, eu acredito que estou esperando o mínimo de educação de quem tanto pede por isso e eu sei que não vou ter retorno.

Só mais um desabafo. Tanta coisa errada naquele lugar que toda vez me pergunto: o que eu faço aqui mesmo?

terça-feira, 2 de setembro de 2014

Educação para quem?

O que fazer?

Iniciar uma postagem com uma pergunta como essa, já sugere que estou perdida em relação a isso. Quando comecei a escrever essa postagem, abri arquivos de pdfs e parâmetros curriculares para apoiar o que iria escrever.

Hoje, finalmente, entendi que o menino que senta com a mesa colada na do professor não faz os exercícios por um motivo bem simples: ele não sabe ler ou escrever. Ele mesmo me relevou isso e quando mostrou o caderno e as tentativas dos professores de ajudá-lo a decifrar as letras, eu pensei que as coisas na escola estavam bem piores do que eu supunha - e eu joguei o pensamento lá embaixo e é pior do que isso.

Eu disse a ele que iria tentar ajudá-lo, que iria passar exercícios e tudo mais. Perguntei como ele havia chegado a 6ª série sem saber o básico e ele respondeu: foram me passando. Ele deu um sorriso sem graça, acho que ficou constrangido com a cara que eu fiz ao ouvir isso. Foram me passando? Verdade?

A despeito das políticas educacionais e de todo um histórico de achismo por parte do público em geral, essa ideia de não reprovação era algo antigo e foi instaurada. A princípio porque iria ajudar o aluno, em seguida ou imediatamente, porque era bom não repetir mais ninguém, a máquina ia continuar funcionando e os alunos iam perdendo a qualidade de ensino conforme os anos.

O que acontece com esse aluno que passou sem saber o conteúdo? Ele vai continuar assim. Pressupõe-se que você saiba conceitos para continuar as matérias e seu aprofundamento em certos temas. Se esse aluno foi aprovado pela máquina do governo, como é que se espera que ele entenda os novos conteúdos se ele falha no básico?

Pior do que mais errado é a insistência do governo em manter algo que não funciona. A estrutura arcaica do ensino não está ajudando docente ou aluno. A estrutura da escola não ajuda também. Os prédios não ajudam. Uma série de fatores que posso listar rasamente diz muito a respeito do porque não funciona.

Tendo o caso desse aluno como exemplo, ele disse o que eu sabia. Eu sei o porque dele estar na 6ª série sem saber o básico do básico. Ele não repete. Ele, como criança, não se importa, quanto antes sair da escola, melhor. Ele, como cidadão consciente, não existe. O que vamos deixar para a sociedade do futuro, se esse garoto é apenas um exemplo de algo tão comum?

A aprovação automática é ruim. Os conteúdos são ruins. É esperado que os alunos saibam coisas somente para o vestibular e nada mais. E para quê? Quanto é a taxa de aprovação em faculdades sérias e de abandono de curso? Existe todo um sistema errado e que funciona para propósitos claros, nenhum deles inclui educação de qualidade ou cidadãos decentes (porque se incluíssem, teríamos "ética" e "política" para as crianças).

É o total e severo o abandono em uma instituição que forma outras profissões. Claramente visto no salário ridículo pago aos professores.

Eu não gosto de escrever sobre essas coisas porque é mais do mesmo. Sou professora de História, no meu curso, eu não tive alfabetização de crianças... Então, a pergunta continua: o que fazer com esse garoto? Que se vire que não é problema meu? Tentar dar alguma lição sem o menor conhecimento de como isso pode ajudá-lo de fato? Esquecer que tem mais 40 alunos na sala e que cada um deles está num tempo diferente e que isso causa conflitos de interesses? Falar para a mãe 'o que espera que eu faça? eu não sei ajudar seu filho'?

Ideias foram jogadas. E não sei o que fazer com elas. A pergunta continua: O que fazer?

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Meia maratona - Run The Night

Com a ascensão do meu irmão para o status de corredor, eu tenho acompanhado ele em diversas corridas para suporte técnico e moral. Sábado passado fomos a USP para a primeira corrida noturna que ele participou. A "Run the night" era da Caixa com a Iguana Sports. Foi a primeira noturna para o revezamento.

Essa foi a primeira que meu pai foi também. Ele parecia animado.

De fato, as corridas são bem divertidas. Eu mesma estou pensando em começar a praticar porque me sinto motivada cada vez que vou e vejo o pessoal cruzando a linha de chegada e a superação de metas pessoais. Mas como todo o esporte, preciso ir ao médico antes para me assegurar que a saúde é boa o suficiente para isso. Claro que fazer exercícios é bom para o corpo, mas como eu já vi gente infartando depois de correr, creio que o estado físico para a prática talvez seja o mais importante.

De qualquer modo, estávamos lá na USP, muito cheio e muito mal sinalizado. O local do evento parecia o de uma rave, inclusive com tinta fosforescente e pessoas dançando. Até ai tudo bem, o pessoal aparece e sempre faz festa, ainda mais a noite. Não havia visto nada similar porque sempre vou acompanhar meu irmão nas corridas de manhã.

E tinha bastante gente que não ia correr - iria depois por causa do revezamento - e que estava ali, zanzando de um lado para o outro. Assim como muita gente que não ia participar e estava ali, também zanzando de um lado para o outro.

Os solos, quartetos e duplas saíram todos juntos. Achei estranho porque geralmente temos a cronometragem de cada um e os grupos aos quais eles pertencem. Bem, isso pode ser superado. Meu irmão disse que estava bem sinalizado o caminho do percurso - já que cada grupo distinto tinha seu próprio percurso para completar os 21K.

Até ai, tudo bem. Algo que me incomodou era que não tinha sinalização para os expectadores sobre o caminho. Assim como não tinha nada para quem estava na USP aquela hora em sua prática de exercícios. O que começou a acontecer? Pessoas cruzando a pista do percurso a todo instante, cães e crianças no meio da rua, pessoas com bicicletas. Achei ruim. Qualquer um sabe que na prática de qualquer esporte é necessário concentração e que corridas são algo solitários e de superar limites, agora, o cara já tá preocupado em alcançar seu objetivo e tem que ficar desviando de pessoas? Chega a ser falta de respeito com o corredor, afinal, ele pagou (e não foi barato) e teve que desviar de pessoas que não sabiam ou que não podiam respeitar isso.

Infelizmente, muito mal sinalizado. As pessoas esperando seu amigos e iam cada vez mais para a rua, onde os corredores estavam passando. Sabe, o cara tá correndo, ele tá concentrado. Dai do nada, surge uma pessoa na frente dele. Teoricamente, o caminho deveria estar livre, mas não estava. E o pessoal também não podia colaborar, tinha que ficar atravessando a pista entre os os pelotões.

E sem contar o desrespeitos dos próprios corredores com os outros corredores. Cada um tem seu tempo para correr, o importante é terminar a prova. Não é porque eu terminei que eu tenho que ficar no caminho dos outros, estorvando. Ao que parece, meu pensamento simples e claro, apresenta grandes dificuldades para entrar na mente dos outros. A falta de respeito nessa terra aqui é generalizada, nem consigo prever algo para anos a frente.

Meu irmão terminou a prova, xingando por causa da falta de respeito dos outros participantes e do público em geral. Infelizmente, podia ter sido melhor organizado (não ficar contando que as pessoas vão respeitar porque elas não vão) e melhor sinalizado.

Medalha de finisher
E no final, não tem jeito. A melhor corrida, a melhor organização, o melhor incentivo foi da Golden Four ASICS (São Paulo realizado em 03/08). Isso sim foi uma excelente corrida para o corredor e para quem estava assistindo.

quinta-feira, 28 de agosto de 2014

O surrealismo da reunião

No começo, eu achei que era porque eu estava meio cansada. Eu dormi quase 10 horas, mas não parecia suficiente. Estava sentada ali, alguns que estavam presentes, eu sabia que eram professores, reconheci a coordenadora e tinha aquele monte de gente que não fazia ideia de quem era. Tudo bem, professora nova e ninguém se preocupou muito em me informar nada - claro, devo ter cara de adivinha.

Depois eu me toquei que aquelas pessoas com alunos, eram pais. E eles iam participar da reunião porque os filhos deles tem problemas de disciplina. Até então, achei mais que justo porque os pais deveriam se preocupar com o que os filhos fazem e se interessar pela melhoria deles.

Eu me senti uma intrusa num espaço que faço parte, enquanto a coordenada falava de um lado e as mães retrucavam do outros. Crianças incorrigíveis, tentei de tudo, não sei mais o que fazer, já tirei tudo dele e ainda estou sendo chamada para as reuniões. Pensei: Deuses amados, o que há de errado com tudo isso? Como essas pessoas podem afirmar isso? Porque elas não parecem preocupadas? Por que muitas olhavam como se fosse um saco estar ali cuidando de algo que elas geraram?

Largou o filho no mundo. O mundo cuida. Cuida bem, viu? O mundo cuida daquele jeito, bem redondinho.

Me espantei com o que escutei. A gente sabe como são as coisas, mas quando ouve as conversas, começa a achar que é brincadeira. Tinha gente preocupada, gente que estava se esforçando. Educação vem de casa, a escola é complemento para o crescimento da criança como cidadão, seu direito ao estudo para não ser um completo imbecil. Os pais estavam se esforçando, não era a primeira reunião deles, seria a última.

Posto as palavras de apelo da coordenadora "não tenho filhos, mas penso que essas crianças são parte do nosso legado para a sociedade", alguns pais ficaram constrangidos. A mulher estava certa, o que poderiam falar? Uma das crianças deu de ombros, em sua total postura de tanto-faz-quero-que-se-foda. Acreditei ser abusivo, depois de tudo, ainda tinha a pachorra de dar de ombros e olhar com desafio. Querido, provavelmente, aquela mulher é a única que se importa com o que você possa ser e você, cego, claro que não pode ver isso.

Pensei em falar, me dirigir as crianças que apareçam com pais, falar diretamente. Não fiz nada, minha primeira reunião, porque iria falar alguma coisa? Que falassem o que deveria ser falado, que colocassem para fora as ofensas sofridas na sala de aula. Todo mundo diz que os professores não tem controle, por que essas pessoas não entram lá e tentam dar uma aula? O sistema de ensino é arcaico, conte-me mais, por favor? Como mudar algo se as pessoas de cima preferem assim? Quando o governo prefere assim porque assim tá bom?

A parte que fiquei boquiaberta foi quando a mãe de uma garota falou que, na verdade, a culpa era da escola. Foi quando eu achei que tinha escutado o suficiente. Todas as pessoas tem suas dificuldades, mas é sério mesmo isso? Sério que vai falar algo assim? Ok, me isento agora de minhas responsabilidades, estou aqui e o que vocês estão fazendo por ela? Cadê a parte de vocês?

Quando eu fiz meu curso de acd, eu tive uma aula de psicologia infantil, não foi o suficiente e não sou especialista, mas foi-me dito algo que reconheço sempre: os filhos imitam os pais. Se o pai não se interessa, o filho não vai se interessar. A questão desse curso era: como o pai pode pedir para os filhos escovarem os dentes depois das refeições se eles não o faziam? Como esperam que as crianças assimilem o gesto se não os praticam? Pais pedem para que os filhos leiam, mas o que eles leem? Os filhos assistem os pais lendo alguma coisa?

Foi quando a voz da consultora do curso veio na minha mente, enquanto eu escutava a mãe em seu discurso. Cada pessoa com suas dificuldades, mas ainda assim, aquelas crianças são de seus pais e serão da sociedade. Que tipo de pessoas esperamos formar sendo que a mais básica das educações não temos?

Me senti mal, pensei novamente que estava no lugar errado. Eu tenho essa coisa de querer trazer o melhor das pessoas, de acreditar nelas. Sempre acabo achando que as pessoas são mais do que elas mostram, que elas podem ser melhores a cada instante e sempre me decepciono. Espero coisas dos outros e eles não tem o porque de me fazerem nada disso. Interesses divergentes, pouca instrução, falta de vontade, assim tá bom.

Estou lá, será um aprendizado para mim. Farei meu melhor porque é uma questão importante. Não vou ter expectativas e não vou permitir que matem a esperança dentro de mim. Não posso nem falar pelo dinheiro porque seria, realmente, uma piada cretina.

Respeito é bom. Todos gostam dele. Mas como é algo muito valorizado, ele é facilmente esquecido ou posto de lado por aqueles que tem (e posso contar muitas histórias sobre isso) e totalmente ignorado pelos que não tem.

Senti vergonha. Senti repulsa. Fiquei chateada. Pensei que meu melhor não era o suficiente, eu não tenho o suficiente para fazer qualquer mudança. Quis acreditar. Quando entrei na sala a tarde, olhei para os alunos, abaixei a cabeça e ri. Fiz meu melhor, vi que não era suficiente. Tentarei outro método e que os Deuses me ajudem.

A gente vai levando, a vida é assim, uma pancada depois da outra depois da outra e depois da outra. No final, a gente sabe dançar samba, tem carnaval e futebol, quem precisa de mais?