terça-feira, 31 de março de 2015

Música e sonhos

Eu estava assistindo ao BandNews e passou essa reportagem sobre jovens de periferia que foram tocar nos Estados Unidos. A reportagem tem um pouco mais de 5min e mostra a alegria desses músicos da Orquestra Jovem de São Paulo e as dificuldades da garota da reportagem de ter conseguido se ser música.

Isso me lembra as diversas argumentações que ouvi em toda a minha vida que as pessoas pobres não tem condições ou capacidade de serem algo melhor do que a grande maioria da sociedade espera que eles sejam.

Sempre devemos confiar na capacidade das pessoas de piorarem ou de melhorarem. Afinal, já dizia meu onichan "as pessoas sempre podem se virar porque elas não são quadradas".


E sempre uma dádiva para mim ver esse tipo de reportagem quando eu estou tão desacreditada do mundo.



A reportagem segue no link abaixo.


http://bandnewstv.band.uol.com.br/noticias/conteudo.asp?ID=747189&tc=educacao-bolsistas-da-orquestra-jovem-de-sao-paulo-realizam-sonho-de-tocar-nos-estados-unidos

domingo, 15 de março de 2015

[Conto] Soldado

Então, eu pensei naqueles mortos ao meu redor. Em como seus corpos destroçados pelas balas respiravam e se moviam minutos atrás. Então, olhei para minhas mãos, trêmulas e com horror, me dei conta que eu causara isso. O zumbido da arma cessara e do campo eu escutava gemidos e últimos suspiros.

O que havia feito?

Minha causa era mais justa que a deles? Meus atos eram protegidos por deus? Aquelas pessoas, que tinham família em algum lugar, jamais voltariam para casa, jamais voltariam a ver aqueles que por eles aguardavam. E mesmo se não houvesse alguém esperando, as pessoas sempre tinham sonhos, e eu os rompi com a força da metralhadora que ainda estava quente.

O silêncio que se seguiu e a brisa com o cheiro de sangue me deixaram doente. Eu olhava, desolado para o campo a minha frente, soldados caídos por todos os lados. Os uniformes verdes-escuro agora eram tingidos por uma mancha marrom de sangue. Os uniformes impecáveis agora estavam perfurados, sujos e imprestáveis.

O que havia feito?, me perguntei novamente.

Era como estar ali e não estar. A vertiginosa sensação antes do salto de paraquedas. Odiava a altura. Eles tinham me deixado ali, naquele ponto, porque eu odiava altura. Não poderia estar num avião, não poderia ser um franco-atirador e estar no alto com um fuzil. Não suportava altura.

Meus olhos não conseguiam desviar do horror que eu havia causado. Nem mesmo quando eu vi as comportas dos barcos ancorados na praia se abrirem. Deveria atirar neles, como havia feito minutos antes, deveria impedi-los. Eles não poderiam avançar e deus sabe que tinha munição suficiente para detê-los.

Não conseguia me mover e quando vi as pesadas botas dos inimigos tocarem a areia fina da praia e correrem na direção daqueles que estavam mortos, pensei que não queria ter participado disso. E de nada antes disso e o anterior a isso. Eles falavam que eu estava fazendo o bem, mas não era isso que eu sentia. Eu acreditava na Causa, mas agora, parecia inacreditável que o sangue derramado por minhas mãos pudesse salvar minhas crenças.

Minha mão caiu pesada ao lado do meu corpo, enquanto eu caminhava em direção a pequena janela do bunker e olhava a ação a minha frente. Os inimigos vinham em seus uniformes verdes, carregando as pesadas armas. Eles não eram tão diferentes de mim, por que eu deveria odiá-los?

Me esqueci porque brigávamos. Me esqueci de nossas diferenças. Lembrei daquele dia em que minha mãe preparou torta de maçã e eu estava embaixo da árvore, lendo as poesias do meu pai. Lembrei do sorriso dela, cheia de orgulho ao me olhar lendo, enquanto deixava a torta esfriando na janela. Lembrei dos cabelos dourados, encaracolados e presos. Dos olhos escuros, cheios de uma alegria que eu nunca senti. As mãos sempre eram carinhosas. As palavras sempre eram honradas. O que mamãe diria se me visse agora?

As poesias do meu falecido pai sempre falavam do infinito, da bondade de deus e do tempo. Eram sobre o sol nascer, o vento sussurrando a mensagem do nosso senhor, a visão do horizonte no mar. Meu pai havia sido um bom homem, trabalhara a vida toda e escrevia aquelas linhas com uma paixão que eu nunca senti.

Ao olhar aquelas pessoas mortas e ignorar o avanço dos inimigos, eu pensei em meus pais. Quando ouvia minha mãe chorando em sua cama a saudade que sentia do companheiro de longa data, quando eu pensava que meu pai entraria pela porta contente por estar em casa.

Aquelas pessoas deveriam ter visões iguais. Saudades de coisas que não conheciam, saudades do que deixaram para trás. Seus nomes deveriam estar nas orações de alguém, numa lista em algum quartel, com os companheiros que não vieram nesse batalhão. Queria acreditar que havia alguém por eles.

Deus, o que havia feito?

Abandonei meu posto, meu andar pesado me conduziu para fora. A brisa do mar com cheiro de sangue me saudou. Meu corpo movia-se sem sentir nada, preso a uma lembrança que eu nunca possui de verdade. Eu queria chorar e quando dei por mim, meus olhos já estavam marejados.

Eu queria me desculpar. Com eles. Com minha mãe. Comigo.

Os inimigos se tornaram homens na minha frente, viraram pessoas como eu, e enquanto apontavam suas armas para mim, falavam coisas que eu não podia ouvir ou entender. Meus olhos focaram no sol atrás deles, a linha iluminada do horizonte, o mar com ondas calmas. Era sobre aquilo que meu pai tanto escrevia e agora eu podia ver a mesma beleza que ele impunha em suas obras.

Quando fechei meus olhos, eu sorri debilmente, lembrando do meu pai sentado à mesa, escrevendo aquelas coisas, da minha mãe acariciando o cabelo dele e levando café fresco. Lembrei de mim, sentado, observando tudo, sem conseguir pensar em nenhum outro lugar do mundo onde eu quisesse estar.

As balas dos homens que vieram do outro lado do mar me atingiram. Muitas delas. Eu senti pequenas cocegas e cai. Nunca mais levantei.


Mortal Kombat X

Eu estava olhando as novidades no Steam e vi o novo Mortal Kombat. Como sempre, uma grande apresentação. É um jogo com uma grande história e personagens que todos conhecemos e amamos. Eu já deixei de acompanhar essa série de jogos porque não tinha como jogar e não queria ficar querendo jogar.


(eu cortava esse rap de fundo facilmente, mas a cena de ação dos dois é muito boa e até esqueci que tocava isso ><)

Mas também, não me custava nada ter olhado as novas modificações do jogo: a cada fatality sanguinário ou as novas sequencias de combos muito bem feitas. Foi olhando que descobri que colocaram personagens de outras franquias famosas para fazer sua passagem pelo torneio.

Na versão X do jogo, temos o senhor Voorhees, um clássico do terror adolescente:



Claro, incluo um trailer do meu personagem favorito (na verdade eu gosto dele e do Shang Tsung, mas não achei um trailer solo do mago para colocar aqui):



Trailer do modo história do jogo:



É, sempre dá vontade de jogar.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Irmandade da Adaga Negra

Uia! Como ganhei os livros, estou lendo e postando minhas resenhas do "Pipoca e Café". Percebi que só posto as desgraças do livro, mas são livros divertidos e com uma dinâmica de palavras que me agrada. Eu só aponto o que me irrita porque todas as resenhas que eu li, todo mundo fala bem e aponta as coisas boas. Não é querer ser do contra, quanto tem algo que eu acho muito legal, eu aponto, mas as coisas sem sentido me irritam mais e merecem mais minha atenção do que as coisas legais do livro.

A autora dá alto valor a coisas que ela não explora. O livro do Butch teve um exemplo bem claro disso. Ela ficou falando do Van, como ele entrou na Sociedade Redutora, o que o Sr. X fez para que isso acontecesse. E dai ele morreu. Não entendi o proposito de ficar falando tanto dele para uma morte tão idiota... Outros redutores, sem nome, tiveram mortes mais gloriosas que a dele.

E eu gosto desses livros de ambientações sobrenaturais. Acho divertido ler, eu me divirto muito, os diálogos desses livros são descontraídos e tem grandes cenas. Quando eu escrevo as resenhas, fica até parecendo que não me diverti lendo, mas eu me diverti. E que eu sou uma pessoa chata, uma coisa improvável, que vai contra a natureza do personagem, me irrita demais e eu tenho que falar sobre isso.

De qualquer modo, estou no livro 5.
Porque o V. gosta de mulheres... NÃO SEI AONDE!

Resenhas:

domingo, 18 de janeiro de 2015

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezoito oito quarenta e sete

A nave chegou ao destino B.

Este quadrante tem lindas estrelas e bons planetas. Pousamos num planeta e as habitações lembram casinhas de bonecas.

Estou satisfeita de ter chegado.

Agora, poderei traçar as rotas para os destinos C e D. Asterisco hífen asterisco.

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezoito quatro e doze

As condições atmosféricas sugerem ventos fortes e frio. Fiquei acomodada na área comum da nave enquanto observava sem emoção os demais desafiarem o clima em busca de satisfação dada pela droga que deve ser queimada e tragada. A grande parte dos viajantes da nave faz uso dela.

A sete e oito preferiram conversar a se submeter as ondas que induzem o sono, perturbando-me terrivelmente. Dentro da minha câmara, bati contra o vidro para que notassem minha frágil condição e que parassem de perturbar. O recado foi entendido e pude aproveitar as parcas condições de conforto da minha câmara por horas seguidas.

A nave está parada na estação espacial dois esperando permissão para iniciar a dobra e chegar ao ponto B.

Estou aguardando com certa impaciência a resolução das questões e acordo dos termos de entrada do novo quadrante.

sábado, 17 de janeiro de 2015

Diário de bordo

Diário de borbo do passageiro seis número dezessete vinte
(Sol - 20h - RS)

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezessete quinze quarenta e seis

O diário está com problemas técnicos. Não consigo encontrar um meio de corrigir os arquivos lançados no sistema, então, o diário é reescrito como se fosse novo.

A abundância de água desse lado do sistema planetar me assombrou. Minha terra natal seca e árida parece ainda mais seca e árida.

As construções também me deixaram pensativa. Estilos arquitetônicos pouco usados em minha terra, um novo mundo, sem dúvidas.

A nave parou em uma pequena lua e lá observei a outra dinâmica que os vivos poderiam dar aos mortos. Nunca havia visto um lugar de descanso sem altos muros ou grades. Parece-me que a cultura em relação aqueles que não mais aqui estão permite um lugar como o que eu vi.

A nave também fez uma pausa para reabastecer os tanques com matéria escura num lugar onde o chão e o ar eram feitos de uma substância quente, que queimava as narinas e emitia um calor horripilante pelas pernas - a verdadeira sensação de achar que será cozinhando vivo. Enquanto a nave mantém a criogenia para conservar nossos corpos entre a transição de pontos, a fuselagem resiste bem a ação violenta do lado de fora.

A passageira Oito é um hospital ambulante. Isso explicou as malas nos bancos e toda a confusão que ela e a Sete fizeram. Ela me explicou depois que a questionei do porque de tanta bagagem de mão. Ainda que ela tenha me explicado isso, ainda me pareceu bagunçando o fato dela não ter separado tudo em duas malas ao invés de usar seis malas.

A nave continua seu trajeto até uma das estações espaciais que vão permitir a entrada em outro quadrante do universo. Seguimos bem e em velocidade constante.

(estou com problema de negrito, esse app faz o que bem entende, depois eu corrijo)

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezessete sete e dezessete

A nave fez sua primeira parada. A estação não tem nada demais do que me foi aclamado a princípio. Mais pessoas a bordo.

Apesar das minhas críticas iniciais, o passageiro quatro deveria estar sob efeito de alguma substância ilícita. Ele não sossegou e teve a ousadia de gravar sua própria voz diversas vezes num dos programas de enviar mensagens. Um longo monólogo.

As passageiras Sete e oito subiram com toda as suas bagagens a bordo. Eu não entendi porque tantas malas não foram no compartimento de carga... Ou nos bagageiros suspensos.

Houve um congestionamento cerca de quatro horas atrás. As trilhas que marcavam a escuridão sumiram para dar lugar a luzes vermelhas e ansiosas. Grandes cargueiros ocupavam os lugares seguros.

A nave parece uma crio-câmara gigante. Do lado de fora apenas névoa e jatos de água derretida de algum cometa.

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezessete zero trinta e seis 

A saída da nave ocorreu sem perturbações. Fiquei aliviada de encontrar meu lugar e saber que tem uma vista favorável.

A nave possue incrementos tais que visam proporcionar um boa transição entre os pontos A e B de cada tripulante. Não tenho reclamações.

Outros tripulantes estavam eufóricos e desrespeitosos. Perguntei-me a razão disso. Agora parecem envolvidos em estágios de sono e talvez, não acordem. As crio-camas devem ter dado um jeito neles. Um deles ameaçou conversar ininterruptamente durante a travessia dos dois pontos dada a uma facilidade que a nave apresenta. Preocupei-me com esse aviso...

O caminho parecia interrompida com o tráfico de longos transportadores. Uma fileira muito longa deles. Ao menos, foi o que apurei. O caminho segue livre agora, pontos brilhantes na escuridão do céu.

Não há nada mais que a escuridão.