sábado, 17 de janeiro de 2015

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezessete sete e dezessete

A nave fez sua primeira parada. A estação não tem nada demais do que me foi aclamado a princípio. Mais pessoas a bordo.

Apesar das minhas críticas iniciais, o passageiro quatro deveria estar sob efeito de alguma substância ilícita. Ele não sossegou e teve a ousadia de gravar sua própria voz diversas vezes num dos programas de enviar mensagens. Um longo monólogo.

As passageiras Sete e oito subiram com toda as suas bagagens a bordo. Eu não entendi porque tantas malas não foram no compartimento de carga... Ou nos bagageiros suspensos.

Houve um congestionamento cerca de quatro horas atrás. As trilhas que marcavam a escuridão sumiram para dar lugar a luzes vermelhas e ansiosas. Grandes cargueiros ocupavam os lugares seguros.

A nave parece uma crio-câmara gigante. Do lado de fora apenas névoa e jatos de água derretida de algum cometa.

Diário de bordo

Diário de bordo do passageiro seis de número dezessete zero trinta e seis 

A saída da nave ocorreu sem perturbações. Fiquei aliviada de encontrar meu lugar e saber que tem uma vista favorável.

A nave possue incrementos tais que visam proporcionar um boa transição entre os pontos A e B de cada tripulante. Não tenho reclamações.

Outros tripulantes estavam eufóricos e desrespeitosos. Perguntei-me a razão disso. Agora parecem envolvidos em estágios de sono e talvez, não acordem. As crio-camas devem ter dado um jeito neles. Um deles ameaçou conversar ininterruptamente durante a travessia dos dois pontos dada a uma facilidade que a nave apresenta. Preocupei-me com esse aviso...

O caminho parecia interrompida com o tráfico de longos transportadores. Uma fileira muito longa deles. Ao menos, foi o que apurei. O caminho segue livre agora, pontos brilhantes na escuridão do céu.

Não há nada mais que a escuridão.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Feliz Ano Novo (com as mesmas coisas de antes)

Com delay de alguns dias, a frase ainda vale, não é mesmo?

Do que eu gosto do final de ano? Do meu aniversário. A cada ano, vou desgostando mais e mais das festividades - que nunca vi sentido - e de como o povo fica animado para parecer mais do que é somente porque outros estão olhando.


Meu Natal foi passeando de bicicleta com meu pai. Fazia anos que não andava e me diverti muito, passando no corredor da paulista e indo até o minhocão. Claro que isso houve consequências dolorosas depois, minhas pernas tremiam e fiquei toda queimada. Mas não reclamei porque me divertido muito.


Então teve meu aniversário e minhas amigas vieram passar algum tempo comigo. Comprei um bolo de morango (porque eu e meu sobrinho gostamos de bolos de morango) e coxinhas, a Nani trouxe uma torta de atum. Foram horas divertidas e já fiquei satisfeita.

[esqueci de tirar foto da medalha de finisher do meu irmão]

Fim de ano e eu fui ver meu irmão correr a São Silvestre (isso merece um post só pra narrar como foi divertido, mas devo de outra corrida também que comecei a escrever e não terminei). Estava largada no sofá, após passar a tarde toda jogando com o Roger e a Marise - porque jogar L4D2 com eles foi muito divertido! Depois eu fui ver os jogos na janela, enquanto meus bichos ficaram enlouquecidos por causa do barulho. Eu gosto dos fogos, mas reconheço que isso não faz bem a eles - razão pela qual geralmente fico em casa nessa data porque acho meus bichos mais importantes do que ficar 'bêbada' em outro lugar.



Primeiro dia do ano e um vento derrubou uma árvore aqui na rua. Ela continua lá, caida, bloqueando a passagem. Pobre árvore estava com cupins, assim como muitas árvores em Sampa. Antes eles passavam cal para diminuir o ataque das pragas, mas já se foi o tempo que se preocupar com isso valia a pena. Agora a cidade conhece o resultado por esse descaso.

Mas conhecer descaso é algo que estamos vivendo com toda a força.

Ano novo, melhorias para nós. Como professora, desejo que as palavras da presidente Dilma sobre melhorias na educação sejam de verdade - mesmo com o ministro pífio que ela recrutou para tal missão.
Ano novo e vamos adiante. Povo ainda tá reclamando porque o PT ganhou? Pois é, ganhou e dura 4 anos. Lide com isso. Estão reclamando dos ministros escolhidos para cuidar da Economia, mas deveriam saber que essas pessoas seriam escolhidas pelo PSDB se eles tivessem ganhado a presidência. Então, pesquisar que é bom, o povo não faz nada.
Ano novo e um pouco mais de caridade. Uma que seja de verdade porque ficar ostentando as coisas é pura vaidade.
Ano novo e meu treino contra a procrastinação... Tá foda viver assim.

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Back At One


(essa postagem trata do clipe, para entender, assista antes de ler)

O que aconteceu foi que eu fiquei cantando essa música - assim do nada - e resolvi ver o clipe dela. Fez tanto sucesso em 1999, quando foi lançada, que estranhamente ainda lembrava dela. Sim, pode parecer estranha a concepção dessa frase, mas eu não tenho memória boa, então, lembrar de uma música e da letra dela foi algo surpreendente. Enfim, isso não é o importante dessa postagem.

Como eu lembrei da música, naturalmente pensei "vou olhar para ver se tem clipe". Tinha. Assisti. Fiquei "eeeh~?" e estou assim até agora.

Tudo bem, a música se trata de um amor incondicional e como esse homem vai manter esse amor. Até ai, tudo bem, é uma música bem bonita, o Brian tem uma voz muito bonita e eu gosto desse tipo de sonoridade. A minha revolta foi o clipe.

Por quê? POR QUÊ?

Primeiro eu achei que ele era um tipo de anjo. Sério. Eu não pensei que ele estava morto! MAS ELE ESTAVA! Eu devia ter pensando nisso quando eu vi o avião, eu achei estranho o avião, na verdade, eu vi o clipe com uma qualidade muito ruim, e não era bem um avião, era algo e eu não dei muita atenção.

O clipe prossegue e ele pega carona com pessoas aleatórias. Eu não sei se elas estão mortas também, mas pensando nisso, acho que estavam também! Então, ele vai andando para casa e tudo faz sentido no final. Talvez o único tempo coerente da história é o da moça do começo, da mulher que ele ama.

Eu escrevo sobre pessoas mortas, raramente isso me afeta, mas de alguma forma, eu não queria que ele morresse porque a música é muito romântica. Deve ser essa a beleza de tudo, desse amor incondicional, que nem mesmo a morte pode afastar o cara de chegar na sua garota e dizer que a ama.

Vou manter essa ideia porque fiquei arrasada ao saber que ele estava morto.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

Quando é que acaba mesmo?

Eu já esperei diversas ocasiões acabarem, contava os segundos, aborrecida, olhava o relógio e nenhum minuto tinha passado. Fazia tempo que não tinha essa sensação de estar presa a alguma coisa que realmente detesto ou de uma situação desconfortável. E como me sinto agora.

Mais algumas horas, eu falo a mim mesma, só mais algumas horas. Não parece ter fim. O final não chega, aquelas frases idiotas "chega o natal mas isso não acaba" fazem o sentido - e ainda continuam idiotas.

Quando não há mais energia, eu tento tirar de alguma coisa. Eles falaram para orar, que era uma boa maneira de se conectar as divindades e pedir por mais de muitas coisas que preciso apenas para não chutar alguma coisa, sugar a vida de alguém ou dar uma cadeirada em alguém.

Olho para fora e vejo um pássaro. A oração feita de qualquer jeito e com as minhas poucas forças, parece ter sido ouvida. Nunca me senti desprotegida ou longe das divindades, elas sempre estão comigo e trabalham comigo porque eu trabalho com elas. O pequeno pássaro passa rápido e por segundos, eu esqueço do horror que estou vivendo e contemplo o infinito.

Afinal, o que são minhas fraquezas e temores quando tudo é tão maior do que eu e do que eu possa pensar? Do que adianta sentir tanta raiva quando o mundo não pode ser movido por esses sentimentos? Realmente fez alguma diferença?

Então, o problema seria da sintonia. Eu tento ficar calma, ignorar tudo e respirar fundo. Se eu mudar a sintonia, talvez melhorem. É o que me falaram a vida inteira, então, lembro que não tenho mais a concentração que tinha antes, que me fazia viajar pelo infinito, a deriva do amor do universo, flutuando direto para os braços da Mãe Divina. Eu me esforço e nada acontece. Resultados não são tão rápidos para alguém tão incoerente.

Aquela garota de cabelos muito compridos veio ficar perto de mim. Ela parece tão serena em meio aquela confusão. Queria saber dos números que resumem o final de tudo - o final de alguma coisa, mas não do todo. Lembro que sorri um pouco.

Então, talvez tentar tenha válido a pena. Entre discussões, gritos,"só eu, por favor", "não é de deus", "não aguento mais", eu me vejo sentada, as mãos cruzadas na frente dos olhos, fechando os olhos e escutando o silêncio merecido. Demorou. Demorou uma vida para eu encontrar o silêncio no meio de tanto barulho, de tanta coisa, de tanta loucura.

Os segundos preciosos foram tirados e eu fui levada por outra onda de raiva. Não sou uma boa pessoa quando estou com fervendo de raiva. O primeiro sinal é que meu sadismo se torna ainda pior. Será que alguém fica bem quando tem raiva? Afinal, um pico alto desse sentimento e se pode encontrar forças para mudar as coisas. Nisso eu penso agora, na hora, nada fazia sentido.

Eu olhei para a cara dela e ri, mal suportando a mim mesma que poderia dizer dela? Porque isso e isso e isso. E eu olhando e pensando "o que essa estúpida está falando?". Jogar a culpa nos outros é fácil assim, mas não poderia me desculpar por algo que não fiz de errado, mas poderia pedir desculpas se era isso que ela queria ouvir e me deixar em paz. Foi o que eu fiz, murmurando um e leve isso com você e para longe de mim.

Aquela situação bem assim. As pessoas fazem as coisas com os recursos certos e vem falar que eu deveria ter visto que estava errado. Como poderia apontar um erro quando não vejo nenhum? Quando o que foi concluído não fazia o menor sentido? Quando todos estavam com os nervos a flor da pele, querendo apenas que tudo acabasse? Um após o outro, chegavam os problemas, eles também não teriam fim? Nada poderia ter fim? Se as coisas começam, elas devem terminar. Já dizia a Leilinha "tem começo, meio e fim" e como é que não vejo essa droga de final?

Então, fiquei no meu conflito pessoal de ser uma boa pessoa contra a minha terrível personalidade que falava "para que isso?". Uma situação ingrata foi criada por causa desse erro e pensei na possibilidade de adiar meu fim para dar lugar a mais sofrimento. A paz havia sumido e nem era lembrada, foi como se não tivesse existido. Tudo estava tão negro e doloroso. Quando fui questionada novamente sobre a situação, apenas respondi com meu pior lado "não me interessa mais, eu vou embora".

E quando estava indo, encontrei um dos meus favoritos. Não me importa o que digam dele, todas as coisas e todos os avisos que recebo por seu comportamento desvairado. Eu gosto dele e é simples assim. E ele sabe disso, porque eu falei seriamente uma vez, sobre um evento sinistro ocorrido, e ele sabe que sou sincera com ele. Eu não fui dura, estava tão esgotada que não tinha forças para ficar em pé, ele evitou me olhar porque eu sabia que sentia vergonha. Não lembro o que conversamos, as palavras fugiam da minha mente logo depois que proferidas, mas lembro de ter dito que acreditava que ele era uma pessoa melhor, que podia ser bem melhor. Eu achei que ele ia chorar, o mesmo sentimento que senti minutos atrás, quando sentimos que vamos nos partir em milhares de pedaços porque o peso do céu vai cair sobre nós - talvez Atlas não consiga segurar para sempre, vai saber?

Eu acho que sorri. Não sei. Ele limpou as lágrimas. Eu gosto dele, mas não posso fazer mais nada por ele. As coisas seguem de seu jeito, desejarei o melhor sempre, porque esse será de verdade e espero que tudo acabe bem - por que desejar outra coisa?

Quis correr para dentro do ônibus e fugir para alguma galáxia distante. Infelizmente, não foi isso que aconteceu e achei que ia direto para os braços do Barqueiro quando tive um acesso de tosse. Achei que ia cuspir um pulmão, ou talvez um pedaço da garganta. Bem feito, por pensar tão mal de tudo e desejar o mal a todos com tanta força. As leis divinas que eu tanto acredito, se aplicam com tanta rapidez e violência. Não posso ser uma pessoa tão dissimulada como era antes, existe ainda um restante de decência.

Foi isso.
Não o fim, o fim ele não chega. Só mais algumas horas. Só mais alguns minutos. Tudo volta a se repetir. outros protagonistas em cena, outro cenário curto dentro da mesma estrutura.

quarta-feira, 26 de novembro de 2014

Quando um colega chora...

Queria ter escrito mais antes. Não sei, fiquei com preguiça. A vida não estava seguindo de forma coerente, mas agora, penso que talvez não siga mesmo - e eu sempre sou muito controladora. De qualquer modo, apesar do que eu possa achar sobre como a vida deveria seguir, vou escrever como ela seguiu.

Não é novidade que sou professora e que já fiz algumas postagens singelas sobre a vida de professor. Acho muito fácil vir pai e falar mal, muito fácil vir gente e falar mal, difícil mesmo é admitir que não educou o filho e que o filhinho querido da mamãe é perseguido. Tudo bem, acho que já me queixei com todos sobre isso e recebi as mais diversas respostas sobre o que é mais fácil lidar do que admitir.

Eu poderia descrever alguns dos casos que tenho observado na escola, mas ao menos tempo, sinto certa ética para não fazê-los. Quem se importaria? As pessoas não gostam de ver certas coisas publicadas, ainda mais quando a questão é deles. Quem sabe eu consiga escrever sobre isso. Mas o que vim escrever é algo próximo a isso.

Não é a primeira vez que vejo uma professora chegar na sala dos professores, jogando o material e chorando. Isso não deveria acontecer, mas acontece.

A primeira professora foi presa dentro da sala de aula por alunos que acharam que podiam verificar a mochila dos outros atrás de um celular supostamente roubado. O que a escola fez a respeito do roubo do celular? Nada (por razões que não compensam ser ditas). Por essa razão, os alunos se juntaram para eles mesmos fazerem a investigação. Com isso, trancaram a sala com a professora e começaram a inspeção. A professora conseguiu sair porque ligou para um dos professores que fica na secretária e ele subiu para ajudá-la.

Na ocasião, eu estava na sala do lado e me lembro que fiquei até um pouco mais, arrumando o diário. Quando eu sai, eu não olhei para os dois lados - coisa que geralmente faço porque os alunos podem estar fazendo coisas que não devem, mas eu sai e não olhei. Quando a professora chegou, eu fiquei surpresa e exasperada pelo o que tinha acontecido. E também achei que a professora ia ter um troço, um ataque, sei lá.

Outro caso foi que uma aluna ameaçou a professora e queria bater nela. Tudo porque a professora pediu que a aluna fizesse o exercício e a criatura começou a xingar a professora, e depois quis agredi-la. Esse caso eu somente escutei as reclamações da professora em questão durante uma reunião e depois soube do estado de pânico que ela ficou na ocasião.

E ontem, outro caso. Lá estava eu, na sala dos professores, corrigindo o provão, quando a professora chegou, jogando o material e chorando sem parar. Um professor que estava comigo soube logo o que estava acontecendo e subiu para a sala e eu fiquei ali com ela, vendo os ombros sacudirem, ela protestar de tanto esforço e tanto carinho pela profissão, para receber uma chuva de bolas de papel e o fichário nas costas, enquanto ela passava a prova dela na lousa.

Um absurdo ver um docente naquele estado. E a forma que ela falava, a paixão pela profissão e para quê? Para sofrer violência física na sala de aula? Para ficar ouvindo os alunos xingando? Um bando de adolescentes mal criados.

Obviamente, a violência dentro da escola contra o profissional, ninguém se importa. Os alunos podem fazer o que bem quiserem - e muito deles o fazem. E de quem é a culpa no final? Dos gestores? Dos professores? Dos alunos? Da Educação? Da Sociedade? Eu sempre me faço essas perguntas e até posso responder por alguns dos lados,  mas as respostas não convencem e não são suficientes. Não sei porque penso nisso também, essa minha maldita coisa de querer racionalizar tudo e tentar achar soluções para as coisas. E quem se importa com isso afinal? Ninguém... Pois é.

Ao final, é somente uma forma de extravasar minha frustração.

quinta-feira, 23 de outubro de 2014

Pichação

Eu não gosto de pichação! Simples assim!

Segunda-feira, chegando da escola, eu vejo uns skatistas fitando a minha casa. Entrei e eles subiram a rua e picharam o muro da industria do outro lado da rua.

Eu fiquei puta, claro. Eu odeio pichação! Existem tantas coisas que acho odiosas e é claro, que isso se encaixa nessa lista, tanto por ser algo odioso como uma violência. Exatamente isso, considero uma violência, por que seria diferente?

Meus pais vieram para esse país e se esforçaram para encontrar dinheiro, manter a família e comprar essa casa. Quem um maloqueiro acha que é para vir aqui e pichar o nome dele? Essa casa não é propriedade de um vagabundo, nunca foi e nunca será. Quando eu penso nos esforços dos meus pais e de tudo o que fizeram, eu fico puta em pensar que um cara veio e pichou declarando aquele ponto dele. Se tinha que ter uma pichação, seria com o nome dos meus pais!

Pichação é mesma uma maldição nessa cidade. É uma das coisas mais feias que se pode fazer com as letras. De grafite, eu gosto, ai sim está uma arte e tem toda uma história que consagra esse movimento, mas pichação não. Nunca gostarei.

Minha casa é pichada. O sogro do meu irmão consertou um pedaço do muro e vieram uns vagabundos pichar. Eu fiquei horrorizada e com muita raiva. Não, simplesmente não para essas pessoas. Se eu tivesse visto, tinha arremessado uma garrafa, vai pichar a casa da mãe.

Esse post era só para isso, para dizer que odeio. Odeio mesmo. Quero que se foda quem acha legal, piche a própria casa então e não vem fazer isso na minha.

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Corrida de rua - XIII Troféu da Independência do Brasil

Eu fiz essa postagem na data certa e por algum motivo, não publicou, então, fazendo jus ao que já escrevi, postando novamente.


Hoje, dia 7 de Setembro, teve mais uma corrida de rua. Dessa vez, no Museu Paulista, aqui no Ipiranga - lugar histórico já que teoricamente, Dom Pedro proclamou a independência. do Brasil. "Independência ou Morte" uma escolha bastante razoável.

Mais de 6 mil inscritos para 5 ou 10 km. Meu irmão foi pelos 10km. Corrida que contou com quenianos porque o primeiro lugar recebia premiação em dinheiro. Nem preciso dizer como eles correm.

Ouvi pessoas reclamando da participação deles, já que a premiação do primeiro lugar era de R$ 800,00, mas se estão pagando, por que eles não correriam? Povo chateado porque não tem chances contra eles, e de fato, não tem mesmo. Mas amigo, são 800 conto, se acha pouco para um queniano participar, é pouco para você também.

Ao meu ver, não estava tão bem organizado quanto as demais corridas que já estive. Ficou confuso e os corredores dos 5km nem foram muito prestigiados porque a chegada deles era diferente da chegada dos 10km. Eu mesma fiquei nos 5kms e depois vi que estava errada.

Como sempre, a boa vontade do povo em aplaudir os corredores. Eu aplaudo a todos, eles fizeram seu esforço e chegaram até o final, mesmo que não seja nas colocações mais prestigiadas. Eu acredito que é importante dar apoio as pessoas na causas corretas e a prática do atletismo é solitária, se alguém aplaudir os esforços, a pessoa pode se sentir ainda melhor por ter completado aquele objetivo.

De qualquer modo, eu fui para a chegada dos 10kms. O queniano fez a prova em 30 minutos, simples assim quando se tratam deles, eles correm demais. Claro que aplaudi loucamente, ele nem parecia muito cansado e eu acho que ele correm com leveza, parece que nem tocam o chão, tão flutuando no ar. É muito legal ver eles correndo por causa disso.

Pessoal foi chegando e meu irmão mais novo chegou. Ele ficou impressionado porque eu aplaudia a todos e eu fiquei o.O. Parece normal fazer isso, claro que não faço o tempo todo, mas aplaudo. Ele chegou pouco depois do cego ter cruzado a chegada com seu acompanhante. Eu sempre fico feliz quando eu vejo essas pessoas, não pela dificuldade em si da corrida para alguém que não pode ver o caminho, mas sim pela total confiança na instrução do guia que vai com ele. A ligação entre os dois deve ser intensa, mesmo que não na vida particular, e sim no momento 'solitário' da corrida, eles não estão sozinhos, os dois correm juntos.

Meu irmão chegou pouco tempo depois. Como sempre, não deu para tirar a foto dele. Precisamos de uma câmera fotográfica melhor, que capture esses momentos rápidos. Ele ficou feliz por o outro irmão estar ali.

Relembrando High~


When you're close to tears remember
Someday it'll all be over
One day we're gonna get so high
Though it's darker than December
What's ahead is a different colour
One day we're gonna get so high
And at the end of the day remember the days
When we were close to the end
And wonder how we made it through the night
At the end of the day
Remember the way
We stayed so close to the end
We'll remember it was me and you
Cause we are gonna be
Forever, you and me
You will
Always keep it flying high in the sky
Of love

domingo, 12 de outubro de 2014

Pensamentos

"Algumas vezes, eu observava que a beleza de certas situações não se media pelo meu nível de vaidade. Bem longe disso. Na verdade, eu não deveria medir nada. A situação tinha surgido, eu não desgostava daquela criança, mas também, não podia suportar uma atitude como aquela. Havia certeza errada e uma atitude que era realmente equivocada. Me perguntava o quanto eu poderia suportar, quanto poderia lidar. Os olhos eram maliciosos, cheios de afronta. Quando eu respondi, eu usei tudo o que aprendi quando conheci pessoas que não fizeram as coisas certas na vida, foi como eles que eu falei com uma criança e então, ele tremeu. Em algum lugar, um instinto de sobrevivência apareceu, eu sabia porque ele cheirava a isso. Ele arregalou os olhos e,  por segundos calculados, considerou cada palavra dita da forma mais cruel possível. Quando eu me virei, foi que ele começou com as provocações, incapaz de ser direto, e eu voltei a reagir da mesma forma, o tom baixo que eu não utilizava em muito tempo. Então, assim como para ele, foi para mim também, aquele estalo que indicava o nível da situação. Foi um click de o que você pensa que está fazendo? não poderia ser assim, não poderia ser dessa forma. Estou treinando o amor e a calma, como poderia reagir assim? por que jogar tudo no lixo, meses de tratamento e de ponto de vista melhores. Talvez eu devesse ter posto meu nome na caixa de vibrações, talvez tudo sido gerado por mim. O encontro e o debate com a violência só geraria mais violência. Enquanto eu encarava a criança que fugia do meu olhar, notei que a situação havia ficado insuportável mas que poderia ser concertada. Não quis piorar mais, falei com o mesmo tom, ainda do jeito que aquelas pessoas haviam ensinado e falei a verdade a criança. Que eu tinha me preocupado com a situação dele, que tinha me interessado em ver ele melhorar, que pedira ajuda para a situação dele e que tudo o que recebi de volta foi hostilidade. Ele me encarou surpreso e descrente com as minhas afirmações.  Falei é triste que aja assim, esfaqueando por trás quem quer te ajudar, faz o seguinte, continua sem mim porque eu não gosto disso e não ajudo mais porque não merece. Ele abaixou a cabeça e eu sentei na minha mesa e pensei sobre o que tinha acontecido. Pensei sobre isso e aprendi um pouco mais sobre mim. Queria que o mundo fosse um lugar melhor, mas ele é justo com quem é justo e violento com quem é violento. Tudo na mesma moeda, tudo do mesmo jeito. Justiça por justiça, violência por violência. Queria que essa criança compreendesse isso. No entanto, ele não se importa. E eu, infelizmente, sim."

Libertação desses pensamentos porque isso está me matando.
Talvez quando eu ler isso no futuro, eu não pense que tenha sido tão errado como eu acho que foi.

Faz tanto tempo que não pensava nesse passado nefasto, as vezes eu me assusto com o quanto eu lembro e o quanto eu posso reproduzir de tudo o que aprendi. Ao menos, não aprendi só coisas ruins, muitas foram boas e outras revoltantes. Deve ser por isso que tenho pouca tolerância sobre o que as pessoas acham de coisas que elas acham que sabem a respeito.