domingo, 15 de abril de 2007

Sumiço do Gordon!


Esse é meu gatinho Gordon! Ele quase me matou de susto essa semana, quando eu fui pro cursinho e meu irmão Max saiu e deixou a janela aberta. Eu chego em casa 22:45hr e cadê o gato? Procurei como uma louca, todos os lugares que ele poderia estar, imaginando se estava ferido, se alguém o havia envenenado, se alguém o havia levado. Tudo bem, as pessoas não levaram isso a sério, mas ninguém gosta de gato na minha rua e meus adorevéis vizinhos já avisaram sobre isso. Sabemos por experiência própria que eles não gostam, vários gatos já foram envenados e agonizar dentro de casa até morrer.

Depois de quarenta minutos procurando, nada dele. Eu olhava, desolada, pra rua, tentando entender onde estava meu gatinho. É sempre horrivel ter a notícia que algum deles morreu. Eu gosto mais dos meus animais do que de humanos, e eu nunca neguei isso. Desprezo meus vizinhos por não gostarem de animais, mas os respeito, porque o tanto que eles não gostam de animais, eu gosto a mesma quantidade deles. Eu não vejo problema nenhum em gostar mais de animais do que de humanos, mas sempre as pessoas parecem prontas a me condenar por isso.

A noite inteira eu acordei pra ver se ele tinha chegado e nada. E eu sempre acho que não existem mais tantas lágrimas assim em mim, e lá estava eu, chorando pelo gatinho. As razões pelas quais isso acontecem é porque eu os amo demais. Eles cumprem seu papel com perfeição, e eu lamento a partida de cada um de forma diferente. Ainda sinto muito o que houve com cada um deles e sei que a Justiça Divina nunca falha, eu mesma não posso condenar os culpados por terem envenenado meus gatos, mas eu posso esperar que eles sejam punidos por isso - não seus animais, que os Deuses os protejam de morar com pessoas tão despreziveis.

A minha quinta feira foi horrivel. Eu não conseguia parar de chorar, preocupada com ele. O Max ficou triste, mas se aborrecia por me ver tão triste. E como era de se esperar, veio reclamar. A Luciana também veio. Outras pessoas vieram. Eu sempre espero que esse bando de idiotas venha me dizer que estou exagerando... não vai ser a primeira e nem a última vez que vou ouvir "você não acha que está exagerando? Era apenas um gato". Por que sempre respeito a dor dos outros e não existe esse respeito comigo? Por que sempre tem que ter um infeliz pra me dizer que é exagero? Afinal, o que há de errado em sentir tristeza e chorar por um animal? O primeiro que conseguir me explicar isso, sem ser idiota - ou seja, muitos tentaram - ganha um doce. Por que eu deveria mostrar uma tristeza "branda" por meu animal? Eu os amo. E por amá-los, e por toda a dedicação que tiveram comigo em vida, devem ter minhas mais sinceras lágrimas e meus mais sinceros sentimentos. E sim, eu não vejo nada demais em gostar muito de animais, afinal, quem poderia entender o bem que eles me fazem e como suas companhias foram essenciais pra mim? Por que eu deveria achar não vale a pena isso, como todos dizem pra mim? Eu quase tenho vontade de mandá-los pro inferno, a dor é minha, o que eles tem a ver com isso? Eu não estava ali trabalhando, não estava ali comendo e comprando as coisas que precisavam? Por que eu deveria esconder a minha dor?

E depois ainda dizem que eu deveria relevar coisas. Alguém me diz por que eu devo relevar isso? Eu posso muito bem me descrever como eu me sinto quando alguém vem dizer que minha dor é exagerada. Talvez eu deva dizer o mesmo pra pessoa num enterro. Dar um tapinha no ombro e falar o mesmo "não era tudo isso... não exagere". A comparação é grosseira? Ah, toda vez que me encontro triste por causa de um animal eu escuto isso, eu vejo pessoas fazendo comparações, como se pudessem entender a tristeza alheia. E quem pode? Você pode ter idéia e você, tendo idéia, acha que pode julgar?

No meio da manhã, decidi fazer um cartaz pra colocar na janela. Eu tinha esperança que um estudante da faculdade tivesse pego o Gordon, afinal, ele é filhote e éh bem cuidado. Ao meio dia, eu fiz um cartaz porco e coloquei na janela. A tarde não foi diferente da manhã, e eu estava me sentindo mal, imaginando todo o esforço que eu tive durante meses pra conseguir outro gato. Tudo o que eu tive que fazer, e mostrar. Minha mãe não queria outro, dizia que era sofrimento demais ver o gatinho agoniar porque algum infeliz deu veneno a ele. Eu concordo com isso. Mas se for assim, pra que fazer amizades e pra que gostar das pessoas? A única certeza é que morreremos, a forma, pouco importa. Violenta é sempre pior, eu sei. Eu esperava que meus gatinhos morressem de velhice e não babando e gemendo... Pensar nisso ainda doi, porque eu não me importo com a crueldade humana contra humanos, mas contra animais eu acho absurda. Claro, se alguém ler isso, vai ficar puto... tudo bem, estou acostumada com esse tipo de reação. As razões pelas quais eu acho isso pouco importam, eu tenho mais respeito pela natureza do que por humanos, e sim eu sou humana, e justamente por isso que minha própria raça não tem meu respeito ou minha consideração. Eu considerei tudo o que sempre considero quando eu fico triste por causa dos meus animais.

Naquela noite, fomos eu e Max no mercado, depois do trabalho. Lá estava ele, me criticando pelas lágrimas e tudo mais, o discurso de sempre. Daí eu vejo dois molekes roubando uma menina, chegando ao ponto de chutá-la várias vezes quando ela caiu no chão. No final, um deles conseguiu fugir e o que foi cercado, foi liberado por razões duvidosas - quando devia ter tomado umas porradas pra aprender a não chutar ninguém indefeso no rosto. Daí eu olhei pro Max e falei - "éh, talvez eu deva lamentar mesmo pelos humanos... nem jogando uma bomba aqui, purifica esse povo". Grandes feitos humanos... violência e desprezo. E ainda, eu sou errada por lamentar mais pelos meus animais? O que dizem que diferencia os humanos dos animais? A capacidade de raciocinar e o movimento em pinça do polegar e indicador??? Ah claro...

Por fim, chegando em casa, revoltadissima, uma mulher aparece dizendo que está com o Gordon. Que ele a seguiu e tudo mais. Eu vi luz. E de um momento pro outro, eu senti toda a energia de esperança divina em mim, como recompensa por meus pensamentos felizes a respeito daquela situação. Eu tinha certeza que alguém o havia pegado, que eu tinha tantas felicidades ainda pra ter com ele, que essa pessoa ia me devolver meu gatinho. Eu tinha certeza, mas não descartaria as demais idéias de violência, uma vez que elas fazem parte do que tenho como registro de vida. Fui buscar o Gordon na casa dela e logo ele estava no meu colo novamente. Essa moça é a mesma que cuida de um cão chamado Pingo, que era mantido em condições horriveis (entenda como? sem ração, água, era espacando e mantido aprisionado dentro de uma jaula menor do que ele... e não estou brincando quanto a isso) por freiras (ah, sagrado seja o nome dele...) que tem uma creche na quadra de cima de casa. Uma santa a moça. O Gordon foi bem tratado e tudo mais.

Minha mãe ficou satisfeita de ver o Gordon e por me ver feliz. Ela até havia cogitado a idéia de pegar um outro gato pra mim, caso não achassemos o Gordon. Um pensamento normal, depois de tanta violência contra meus gatos, era fácil achar que ele estava morto. Por sorte divina, o Gordon teve outro destino. E eu voltei a ficar radiante.

Uma vez me perguntaram como eu podia gostar tanto de gatos, que eram tão individualistas. Eu sorri e disse que gostava deles, que aquilo era um ponto de vista. E realmente é... quem nunca teve um gato, não pode saber como é ter um. A fidelidade que ele tem a você, como ele fica feliz em ser bem tratado e ouvir o ronronado satisfeito. Não existe coisa mais graciosa que ver um gato rolar e brincar com um brinquedo, ou vê-los dormindo, majestosamente, em algum lugar algo, seus rabos balançando suavemente. Ou você chegar em casa e eles estarem esperando na porta, pra se esfregarem em suas pernas e miarem felizes pra você. Ou então, sentir sua presença sempre bem vinda nos momentos de tristeza, quando ele se aproxima e faz carinho, lambendo atenciosamente a ponta de seus dedos e deitando em seu colo.

O Gordon está bem e readaptado a vida no nosso lar. Uma noite fora e tanta tristeza, pra nós mostrar que ainda existe esperança. E pra me mostrar que ainda existem humanos pelos quais vale a pena tentar pensar em reconsiderar meu conceito da raça.

E sim, eu não tenho porque perdoar pessoas que maltratam animais, não importam quem seja. A Justiça Divina na qual eu acredito, se aplica todos, inclusive a mim.


Priss -> não existe erro em nossa amizade. Sua carta será bem vinda, como sempre foi. E meu sentimento por você continua o mesmo, ou então mais forte.
Quanto ao comentários, isso é por causa do modelo de layout que eu escolhi. Eu vou ver onde fica essa opção e te dou um toque, certo? Mais prático mesmo em pop-up.
E quanto a escola, a única coisa irritante lá é a Igreja. As aulas estão boas. Se tivesse dinheiro, eu pagava, juro. Mas não posso contar com isso. E estou me esforçando. Dificil um bando de evangelicos criacionistas mudarem minha visão, o máximo que podem fazer é me deixar espantada com o atraso de vida, e isso acontece sempre que tenho aulas... hahahaha.

Um comentário:

Carola Richardson disse...

Ah sim... Priss se ler isso, minha arrogância está presente em cada palavra... só não foi acentuada.