domingo, 9 de abril de 2017

Diário de Bordo - Página UM

Diário de Bordo da passageira quarenta e quatro haga

Brasil

Página 1

Em dezembro de 2016, recebi um e-mail do professor com o qual tive aula na pós-graduação me falando sobre um concurso promovido pelo Consulado Geral do Japão em São Paulo para uma viagem ao Japão. O programa tinha o nome de JUNTOS e se tratava de um intercâmbio cultural ao Japão com todas as despesas pagas organizado pela JICE (Japan International Cooperation Center) e o MOFA (Ministry of Foreign Affairs of Japan). O concurso resumia-se a alunos e pesquisadores de cultura japonesa e tinha dois fatores que me favoreciam: não tinha restrição de idade e não era necessário saber japonês.

Após pensar por um dia inteiro – eu sei que isso soa estranho, muitas pessoas teriam se inscrito na hora, mas eu nunca fui uma pessoa de concursos e tive que pensar um pouco, para conseguir a coragem necessária. Conversei com meu amigo Samus, aquele que parece entender minha alma mais do que qualquer outra pessoa no mundo e resolvi participar. Então, notando que não tinha muito a perder, eu me inscrevi. Era necessário preencher os documentos vinculados pelo Consulado e enviar uma redação sobre o porquê essa viagem ajudaria em minha pesquisa.

O texto produzido não foi o dos melhores, hoje eu olho para ele e penso o quanto estava ansiosa, mas ele não é ruim. Sou mestranda em cultura japonesa pelo programa de pós-graduação da USP e eu estudo mitologia japonesa, mais especificamente o Kojiki e dentro desse livro, Izanami e Izanagi. Minha redação falava sobre observar os mitos na sociedade.

Após alguns dias, recebi a resposta. A primeira veio como um e-mail dizendo que não tinha passado para a segunda fase. Na hora, pensei com um sorriso triste que, ao menos, tinha tentado. Alguns minutos depois, recebi outro e-mail que indicava que tinha uma entrevista marcada para a próxima semana. Ainda confusa, recebi um terceiro e-mail pedindo para desconsiderar o e-mail que não havia passado. Foi o momento que fiquei olhando os caracteres na tela do notebook e pensei "uau". 

A entrevista ocorreu no escuro, o Consulado fica na avenida Paulista e estava sem luz. Conheci Miki-san e o cônsul Takamoto. Eles conduziram a entrevista com severidade, como esperado de japoneses. Eu não sabia se tinha ido bem, estava tão nervosa que não é possível lembrar com exatidão do que respondi as perguntas. Eu lembro que olhava o contorno dos dois pela luz que vinha de fora e olhava os telhados dos prédios vizinhos, enquanto pensava que estava fazendo uma entrevista para ir ao Japão. Eles ficaram surpresos por meu tema de estudo ser o Kojiki e me questionaram sobre o Japão atual e o Japão Antigo – o qual estudo e que tipo de choque eu esperaria por essa distância entre a realidade e o estudo, respondi que o passado sempre está lá, você só precisa olhar para ele, mesmo que a sociedade não seja a mesma (movida por regras e valores que ganharam outros entendimentos), seus resquícios ainda estão lá.

Como estudar mitos e outra era do Japão poderia me ajudar a sociedade atual? Como explicar que mitos não são apenas histórias? Como explicar que a mitologia permanece?  

Demorou mais alguns dias para a resposta dessa entrevista. Eu já não sabia mais o que pensar. Tinha repassado a entrevista tantas vezes e respondido as perguntas de muitas outras formas. Era uma confusão e uma ansiedade só em minha cabeça.

Então, numa sexta-feira, recebi um telefonema da Miki-san dizendo que havia sido selecionada para o Programa Juntos e que ela precisava do meu passaporte para dar entrada no visto.

Minha surpresa foi tanta que quando ela disse "parabéns" eu ainda estava processando que iria ao Japão. 

Minha Grande Mãe Divina, eu fui selecionada! Eu ia para o Japão!

Diário de Bordo - JUNTOS JAPAN

Olá,

Meu blog sempre está meio abandonado, mas eu viajei para o Japão e devo escrever o que eu vi e o que vivi enquanto estive lá. Por isso, nasce uma nova série de postagens aqui no blog chamado Diário de Bordo - JUNTOS JAPAN, que era o nome do programa o qual eu participei.

Alguns dos textos, os que eu achar mais interessantes, serão postados no MEDIUM também.

Esse programa de intercâmbio foi organizado por:
-> JICE (Japan International Cooperation Center)
-> MOFA (Ministry of Foreign Affairs of Japan)


domingo, 8 de maio de 2016

[Conto] Darci

            (Esse conto foi escrito como treinamento para o curso de escrita queer do Ninho de Escritores e foi “corrigido” durante uma das aulas. Agradeço ao lindos e lindas que fazem parte do curso por isso ♥ também publicado no Pena Mágica e no Legado da Escrita)

            Ia pular. Uma queda de cinco segundos. A água gelada daria conta de sua vida. Qual motivo tinha para viver? Por que continuar dizendo que era um homem quando todos falavam que era uma mulher? Por que ouviria as palavras ácidas de Beth dizendo que jamais ficariam juntos?

            — Não pule!

            Virou a cabeça e viu um homem sentado na mureta da ponte, as mãos enfiadas no casaco, os pés balançando. Ele olhou para baixo, a água gelada corria com força. Ele era exatamente como Darci queria ser.

            — Ouvi dizer que uma pessoa pulou numa noite como essa. Deixou tudo para trás. Doía demais aqui — O homem virou-se e espalmou a mão no coração. — Não conseguia respirar. Queria ser outra pessoa. Acredito que tudo pode mudar. Você é essa pessoa.

            Não conseguia ver o homem direito, sua visão estava marejada. Tinha posto a mão no coração também. Batia tão lento, tão sem força. A dor sufocava, não conseguia respirar direito.

            — Gostaria que não fizesse isso. Eu amo o que você se tornou. Vamos ficar juntos, Darci. Apesar da dor, estaremos juntos. Sempre.

            Fechou os olhos para lutar contra as lágrimas. Como amou aquelas palavras! “Eu vou esperar por você, não faça isso, por favor” escutou a voz do homem bem próxima. Tranquilizante e calorosa. Quando abriu os olhos, Darci estava ainda de pé em cima da mureta, a única alma por ali. Gostaria de ter escutado antes aquelas palavras tão preciosas.

            Lançou-se na direção do rio. Cinco segundos e Darci abriu os olhos e teve a impressão de ver o homem olhando com muita tristeza lá de cima. Aquele homem era Darci, mas notou tarde demais. Bateu na água e sumiu.


segunda-feira, 21 de março de 2016

Love's Divine

Isso porque sempre me esqueço como a voz do Seal é maravilhosa e como essa música foi feita para essa voz.

Detalhe para o cara com a camisa da seleção brasileira no pv.
E para o fato do Seal parecer um anjo ♥


Because love can help me know my name.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2016

1. Margarina

Não existe nada de errado com o 1, é assim mesmo. Como eu escrevi, eu tinha a ideia de começar um novo blog onde publicaria algumas histórias narradas com meu senso de humor sarcástico (???), mas resolvi que esse blog tá aqui, tá funcional e pode servir para isso também.

Bora lá então.



Ontem foi um dos dias que estava sem qualquer pensamento em mente enquanto passava margarina no pão. Então, notei que não era da marca costumeira, eu gosto de Qually, mas meu irmão acha que é caro, então, comprou uma mais em conta - mas não uma vagabunda. O que foi bom, afinal, quantas vezes já brigamos por isso?

Foi quando tive um acesso de riso. Eu escutei a voz do Samus na minha cabeça, relembrando eventos de um passado bem distante. "Ao menos, ter dinheiro para comprar uma margarina melhor... Melhor do que Mesa". Para os perdidos, Mesa é uma marca de margarina horrível, não sei como alguém consegue comer aquilo - na verdade, ela tem sua margem de vendas e tem gente que não se importa, e eu, não deveria julgar tanto, afinal, as pessoas comem o que elas acham que devem comer e estamos todos combinados assim.

E tudo aconteceu muitos anos atrás, quando o Samus estava ainda na faculdade e morava numa república que tinha sido uma funerária. Eu não tinha ideia de como era morar numa rep e de como era miserável a vida de estudante, a gente não tem muita certeza dessas coisas até estar na mesma situação ou, ao menos, ver com os próprios olhos. Eu lembro de estar falando com ele sobre a vida que ele tinha e Samus estava me falando que estava cansado de comer comida ruim. E que tinha que sobrar dinheiro para comprar, ao menos, uma margarina decente que não fosse Mesa. "Mesa, droga de margarina..." ele repetiu com desprezo.

Passei anos rindo disso. Sempre lembrava dessa conversa. Ainda lembro. Sempre vou lembrar.

Quando fui morar numa república e pensava na comida ruim, eu escutava a voz dele. A gente tem que aprender alguma coisa da experiencia dos amigos ou seremos uma constante repetição de erros. Quando ele foi me visitar na minha rep, não tinha Mesa esperando por ele na geladeira (e muito provavelmente, eu devo ter feito uma piada a respeito disso). Sempre pensei que deveríamos comer uma margarina melhor, mesmo que ela custasse um pouco mais caro. Meu irmão não pensa assim, embora afirme que sente a diferença no gosto (algo que eu duvido), ele não se importa. Ele não comprou uma marca ruim dessa vez, mas se ele economizar trocando de marca, é o que ele vai fazer.

Ele diz que sou fresca. É, talvez eu seja mesmo.

Até posso entender, com a crise e tudo mais. Fazer o dinheiro durar é o mais importante. As vezes, ele exagera. O que adianta comprar algo mais barato se é ruim (o problema aqui é o ruim, existem coisas boas baratas)? O pior é ouvir ele se queixando que é ruim... Essa economia vale mesmo a pena? Quer dizer, nunca fui capaz de entender isso porque não faz o menor sentido para mim.

De qualquer modo, estava rindo por ter escutado a voz de Samus reclamando da margarina. Acredito que vou ouvir isso até o fim dos meus dias. As melhores razões para lembrar de seus amigos são aqueles momentos que eles fizeram descobertas e que abandonaram a antiga vida que levavam antes, com pensamentos que não serviam mais ou atitudes que não levavam a nada. Nesse caso, a economia em algo mais barato nunca fez sentido porque a margarina era uma droga.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

As desculpas de sempre são as desculpas de sempre

Postagem para mim mesma:
Eu queria não abandonar o blog, mas é algo que sempre faço.
Eu sempre me desculpo na esperança de não me sentir tão mal por isso, mas o fato é que faço isso novamente.
Então, minhas desculpas são as mesmas desculpas de sempre. Faz quase 10 anos que tenho esse blog.
Eu até ia criar outro blog para postar umas histórias engraçadas e pensei que não seria necessário já que tenho esse.
Eu gosto de começar coisas novas, mas preciso de mais concentração para terminar o que comecei. Digo isso por minhas histórias mesmo.
Enfim, vou parar de me desculpar.
E começar a fazer mais.

Como diria o Chef Didier de "Férias da Minha Vida": the start isn't nearly as important as the finish.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Lucifer - episódio dois

Acabei de assistir o segundo episódio do seriado "Lucifer" e estou muito frustrada. Bastante mesmo. Perto do piloto que passou na semana passada, esse episódio foi bem fraco. Bem mesmo.

Eu estava bem animada. Eu tinha adorado o piloto e recomendei para um monte de gente, crente que ia ser bom. Mas que broxante esse segundo episódio. Tudo bem, não totalmente, o final salvou tudo.

Não tenho nada contra o diabo ser um outro cara, mas ele ainda é o diabo. Por favor, não vamos forçar assim a amizade, ele precisa dos seus toques de maldade, o que esse esse episódio deixou muito a desejar.

Assim como outros, assim que soube desse seriado, não pude pensar no melhor diabo de todos que foi interpretado pelo John Glover em Brimstone - para sempre meu seriado favorito. Todo mundo que me conhece já ouviu falar desse seriado porque é ótimo! (há!)

A diferença entre os dois diabos está no que concerne a mudança deles. O de Brimstone não tinha a liberdade que o de Lucifer possuiu, mas tinha poderes absolutos e sabia quem era. E é justamente isso que me incomoda no diabo de Lucifer, que apesar de muito charmoso e sarcástico (fabulosa atuação do Tom Ellis), parece que não sabe quem é, embora fique falando de si mesmo o tempo todo (fabuloso novamente!).

Talvez tenha sido só um episódio fraco, mas é esperado mais coisas ruins porque ele é o Diabo, independente do que venha a se tornar depois disso, e é algo que não pode ser esquecido ou deixado de lado. Pelamor, o cara destruiu a vida do homem no paraíso e não vai fazer nada na Terra cercado de humanos imbecis?

E para relembrar, meu detetive favorito e o Diabo:


SAUDADES BRIMSTONE!

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

+18 não significa nada

Navegando pela internet, vi que o filme do Deadpool será classificado como +18 nos cinemas. Eu não entendi o choque das pessoas, se o próprio Ryan (o protagonista) disse que seria assim. Minha surpresa não foi nem pelo choque em relação ao choque das pessoas, mas sim, como isso não significa nada.

Tudo no mundo é uma volta mesmo. Por mais que se fale sobre fazer o certo (qualquer um pode ver isso nas redes sociais, as postagens lindas sobre o que é "certo"), poucas pessoas parecem levar isso realmente a sério. Exemplos disso tem aos montes, mas fugirei do foco do que quero escrever. Essa discussão toda na minha mente porque o que li a respeito desse +18 nesse filme foi: patético.

Sem falar sobre o que uma faixa etária possa ou não ver (alias, isso não tá ai de graça), uma vez que todos sabemos que as crianças e adolescentes fazem o que querem na internet, a regra está posta. Saber se vão cumpri-la é outra coisa. Mas aqui é Brasil, cumprir as regras é ser otário, já diz a lei do Gerson. E mesmo se for pego, só falar "eu não sabia" ou "não estava claro o suficiente".


Quando morava em Franca e eu fui ver o sétimo filme da franquia Jogos Mortais, pediam a identidade na compra do ingresso e depois havia um encarregado do cinema confirmando a identidade de todo mundo. Eu fiquei surpresa, naquele fim de mundo tinha um controle disso. Claro, eu era maior de idade (hahaha) naquela época, mas nunca tinha visto vigilância. Lembro do menino falando para mim "menor não pode entrar". Está certo, se é +18, não pode.

Na sala, só tinha adultos e nenhum piu. Saudades de quando ir no cinema era ver filmes em silêncio e não com gente otária falando, verificando mensagem no celular que parece um holofote e tirando selfie. Eu que gosto tanto da experiência do cinema, tenho ido cada vez menos, porque a falta de noção é tão acentuada que não vou me divertir e sim passar raiva.


Claro que essa vigilância não se estende por ai e mesmo com +18 no Deadpool, certamente adolescentes e até mesmo crianças estarão presentes. Só pelo sentimento de: infringir as regras me faz mais esperto que os outros. Lei de Gerson está no nosso sangue de BR.

Esse é um pequeno exemplo, existam tantos mais que posso citar, mas caberá a novas discussões aqui no blog (assim, quem sabe, eu volto a escrever?).

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Deerclops, qual é o seu problema?

Desde que ganhei o Don't Starve Together, eu tenho jogado bem com as meninas. Então, o jogo recebeu a atualização dos Gigantes e, finalmente, o nosso querido Deerclops aparece todo o inverno.

Quando jogava com mod, o jogo acabava tornando-se fácil e cansativo. O Deerclops era facilmente derrotado e seguíamos as nossas vidas sem maiores preocupações. Então, certa vez a Mit falou para jogarmos sem mod, só com as personagens originais do jogo. Eu topei, era verdade que desde que comecei a jogar, eu nunca tinha jogado com nenhuma das originais, eu sempre pegava algum mod legal.

Desde então, foi assim que redescobri como esse jogo é difícil e extremamente divertido.

Eu não lembro a ordem exata. Certa vez, o Deerclops destruiu nosso acampamento. Depois disso, passamos a murar tudo para retardar o boss. Sabíamos que uma muralha de palha não ia detê-lo, mas atrasá-lo para que ele não destruísse a base, já era uma ajuda. Conseguimos fazer com que ele brigasse com um Treeguard e o Deerclops encontrou seu destino numa Spider-Queen. Bem feito, papudo.

Senti uma grande vitória ao derrotá-lo. E também, foi muito divertido. MUITO DIVERTIDO.

Nosso último embate com ele se deu essa semana. Novo mapa, novo mundo, um bioma de pedras com muitas aranhas. Sem ter como fazer o controle delas - e vejam só, eu não me importo porque jogo com o Webber - ficamos preocupadas do Deerclops ser derrotado pelas Spider-Queens que habitavam o bioma e perdemos o olho dele - necessário para o melhor chapéu do verão.

Ficamos super preocupadas. Mas o Deerclops não segue uma lógica certa quando eu e ela estamos jogando, ele sempre faz outra coisa e não é o que planejamos. Dessa vez, crentes que ele seria facilmente derrotado pelas aranhas, tivemos uma lição que ele não só mata 3 Spider-Queens, como um mob de Hounds e mais aranhas.

Parabéns, Deerclops! Jamais subestimarei você novamente, meu querido. Vive em meu coração e estamos juntos para o próximo inverno.
E que não me deixe mais falar mal dele, segue as 3 screenshots da gravação da nossa batalha épica contra ele.






Deerclops, afinal qual é o seu problema conosco? E um abraço no coração. (quem sabe assim, a gente tenha mais sorte da próxima vez!)

domingo, 23 de agosto de 2015

Ocupação da Paulista

Hoje eu fui andar de bicicleta com meu pai e meu irmão mais velho. Passamos logo cedo pela Paulista e não havia tantas pessoas. Depois de nossa volta habitual no Minhocão e no Centro da cidade, voltamos a Paulista quando ela estava fechada para os carros e o uso de bicicletas e pedestres tomava a avenida.

Apesar de saber da importância da Paulista como via de ambulância, sou a favor dessas intervenções e de que a avenida seja fechada ao lazer (tanto porque eu acredito que havia uma faixa lá para carros e para ambulâncias). Enquanto estava andando com a bicicleta, olhava ao redor, as pessoas pareciam felizes por estarem ocupando a avenida e a grande maioria estava respeitando as normas de trânsito e dando o espaço dos pedestres nas faixas. 

Digo a grande maioria porque sabemos que não somos respeitosos no trânsito. De qualquer forma, muitos de nós tentamos.

Não era um evento bem organizado, mas sabemos que está no começo do processo e que ele pode ser bagunçado a principio e que depois, vai tomando sua forma. O importante é que havia centenas de pessoas e todas estavam ocupando aquele espaço conhecido e que todos amamos.

Claro, nem sempre todos estão felizes. Eu ouvi comentário realmente muito tristes. Uma mulher estava reclamando porque os pedestres não podiam usar a ilha da Paulista, que agora é a ciclovia. Pacientemente, o homem que a acompanhava disse que não era para pedestres andarem lá, que o lugar deles é na calçada. Nada mais óbvio do que isso. A mulher reclamou mais, dizendo que era absurdo. Não ouvi o restante da conversa, mas fiquei pensando sobre isso. O que é tão absurdo? A rua é dos carros, a ciclovia é das bicicletas, a faixa exclusiva é dos ônibus, a calçada é dos pedestres. Ou ela anda pela rua e faixas exclusivas porque é absurdo que pertençam a esses a carros e ônibus? A bicicleta é um meio de transporte também.

Apesar disso, eu sei que as obras das ciclovias não são perfeitas, que precisam de melhorias. Mas ao menos, elas existem. Nunca vai agradar todo mundo, principalmente as pessoas que não sabem caminhar e fazem tudo de carro. A mobilidade precisa existir para todos e não somente para os que tem carros. As faixas exclusivas de ônibus sempre são alvo de reclamações, mas quem as utiliza com o transporte público não reclama porque elas são necessárias.

São Paulo é essa coisa caótica, todo mundo que mora aqui sabe disso. Mas ficar reclamando sem propor nada não ajuda no estado de caos. Isso não somente no trânsito paulistano, mas em todas as demais coisas.

Eu gostaria de mais apoio as obras e mais gentileza no trânsito.
Grande sonho, não?