segunda-feira, 11 de maio de 2009

História dos Gatinhos - Parte 1

Acordar com um gato chorando não eh uma boa maneira de acordar. Eu escutava seus miados em meus sonhos e estava ficando perturbada com aquele lamento. A historia era bem simples, o filhote deveria estar na casa abandonada atrás do prédio. Eu descobri como entrava no terreno e la fui eu, as sete da manha ver porque o gato chorava tanto. A casa antes era usada como creche e agora não tem mais serventia e esta entregue aos cuidados generosos da Natureza que lentamente vai tomando tudo de volta.

Eu acho uma pena, eh uma casa grande, bom espaço. Parece mais um terreno baldio, como os muitos vazios urbanos de Franca. Não importa, eu estava com medo de malditos escorpiões e cobras e tomei cuidado ao andar pelo terreno e pela grama alta. Encontrei o gatinho branco em cima de um telhado, e do outro, os irmãozinhos dele que se esconderam num buraco no telhado quando me viram. Há duas casas, uma maior e uma menor, com dois aposentos, caixa d’água e telhado frágil. O filhote todo branco estava la, sozinho e chorava.

Ele era branco, tão pequeno quanto eu me lembro do Gordon (recém chegado a minha casa, que cabia na palma da minha mao) e de imensos olhos azuis. Eu tentei resgatar o filhote, mas não obtive sucesso. Eu não alcançava onde ele estava e então deixei leite, na esperança que ele descesse depois e se alimentasse. Fui embora muito frustrada, eu sei la essa minha coisa de ficar querendo ajudar animais, as pessoas tem razão, eles podem se virar sozinhos. Aquele gato iria se virar de alguma forma, mas ainda assim, eu achava que podia ajudar – mesmo não alcançando, e que podia levar ele pro outro telhado, onde estava sua família.

Claro, eu me perguntei a respeito da gata-mae. Mas não havia sinais dela. E eu já tinha visto pela janela do meu quarto ela carregar os filhotinhos pelo muro. Bem, sendo o que for que o gato tenha feito, ele parou de chorar, pro meu alivio.

Recomecou perto do meio dia e eu voltei ao terreno, dessa vez levando uma madeira com a esperança estúpida que ela chegasse ao outro telhado e assim, o gatinho voltar pra sua família. Ainda bem que eu fui com aquela madeira, pois quando voltei, tinha um garoto no terreno, roubando frutos de uma arvore. Acabou que não consegui resgatar o gato e fui pedir ajuda pro menino, que subiu no telhado e pegou o gato. Foi uma correria. O menino ficou me perguntando umas 20mil vezes se o gato não ia arranhar ele e eu já estava perdendo a paciência... Na verdade, eu não tenho muita paciência pra francano, a cada dia eles me dão provas que não merecem nenhuma segunda chance e se tiverem a oportunidade, podem inclusive me matar (isso exige uma postagem especial pra explicações). Ao final, resgatamos o gato e ele me entregou o filhote.

Minha primeira idéia: jogar o gato no telhado certo. E fui o que eu fiz. Mas não foi o que ele queria. Ele simplesmente saltou pro chão novamente e escondeu-se entre as folhas acumuladas na calha. Tentei pegar ele novamente e não fui bem sucedida. Eu e o menino ainda procuramos por ele – e sim, ele continuava me perguntando muitas coisas e eu estava ficando zonza com tantos questionamentos.
A segunda idéia: achar ele e levar pra casa. Mas devido a problemas técnicos, isso não poderia ocorrer, então eu me concentrei apenas na primeira idéia, viável e que ajudaria o filhotinho.

O resgate foi bem sucedido no começo, mas depois ele sumiu entre as folhas do jardim imenso e desistimos. Na verdade, o menino esgotou minha paciência com as milhares de perguntas dele (putaquepariu, como esse povo francano, quando fala com você, (reconhecem unespianos de longe ou simplesmente não são educados – eu acredito nas duas hipóteses) não cansa de fazer perguntas). Eu estava aborrecida por não ter resgatado o gatinho e devolvido ele a sua família, mas depois eu me convenci que ele teria a chance natural de sobrevivência com aquela intervenção. O que eu não esperava era essa historia de gatos estar apenas começando...

Um comentário:

Michel disse...

Oi ,
Que gatinho lindo , E eu tivesse aí eu te ajudava , e pegava ele para mim . Parabéns pela iniciativa .

Abraço
Michel